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Deputada eleita do PT associa incêndio na UFPE a bolsonaristas sem provas

Ana Elisa responsabiliza adversários políticos em publicação nas redes sociais, mas Polícia Federal ainda não confirmou origem criminosa nem ligação entre os três incêndios registrados na universidade.

A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa Santos Silva (PT) provocou uma controvérsia nesta quinta-feira (8) ao associar o incêndio ocorrido na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, a grupos ligados ao bolsonarismo. A manifestação ocorreu antes da conclusão das investigações, sem que as autoridades tenham identificado responsáveis ou confirmado a hipótese de ação criminosa.

O incêndio atingiu, na noite de quarta-feira (7), o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), onde funcionavam laboratórios de pesquisas científicas nas áreas de genética, informática e desenvolvimento de medicamentos.

Deputada relaciona incêndio ao cenário eleitoral

Em publicação nas redes sociais, Ana Elisa compartilhou imagens do prédio em chamas e mensagens atribuídas a pessoas que teriam ameaçado estudantes da instituição.

A parlamentar relacionou o episódio às manifestações estudantis realizadas na terça-feira (6), em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na postagem, criticou o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais e utilizou o termo “fascista” em referência ao adversário político Flávio Bolsonaro (PL).

A declaração sugeriu uma conexão entre o incêndio e a disputa eleitoral, embora não existam provas divulgadas pelas autoridades que sustentem essa associação.

Polícia Federal ainda investiga as causas

A Universidade Federal de Pernambuco registrou três incêndios em apenas oito dias, nos dias 30 de setembro, 4 e 7 de outubro.

O primeiro atingiu um laboratório do Departamento de Física. A hipótese inicial apresentada pela universidade é de que as chamas tenham começado em um forno utilizado para aquecer substâncias químicas.

O segundo ocorreu no Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, enquanto o terceiro destruiu parte significativa das instalações destinadas à pesquisa científica.

Até esta quinta-feira (8), não havia confirmação de que os episódios fossem criminosos ou estivessem relacionados entre si.

A Polícia Federal iniciou os trabalhos periciais no prédio atingido pelo terceiro incêndio, mas precisou interromper a inspeção devido ao risco estrutural. A continuidade dos trabalhos depende de medidas de segurança no imóvel.

Prejuízos podem chegar a R$ 100 milhões

Segundo o reitor Alfredo Macedo Gomes, o incêndio de quarta-feira provocou perdas estimadas em R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos e materiais científicos.

O fogo também comprometeu pesquisas acadêmicas desenvolvidas durante anos. Aproximadamente 80 dissertações e teses foram afetadas, incluindo trabalhos que utilizavam dados acumulados ao longo de duas décadas.

Não houve registro de feridos nos três episódios.

Acusações políticas dependem de comprovação

A repercussão do caso ganhou dimensão nacional diante das acusações divulgadas nas redes sociais.

Relatos de ameaças contra estudantes também foram apresentados por outros parlamentares, incluindo Jones Manoel (PSOL). Entretanto, a autenticidade dessas mensagens e sua eventual relação com os incêndios ainda não foram confirmadas pelas autoridades.

A ausência de confirmação de crime não significa que a hipótese tenha sido descartada. Da mesma forma, as suspeitas divulgadas nas redes sociais não permitem atribuir responsabilidade a qualquer grupo político.

A identificação das causas dependerá da conclusão das perícias e das investigações oficiais.

Da redação Mídia News  Campo Grande


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