
A disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra no segundo turno com dois grandes grupos de eleitores no centro das estratégias das campanhas: os mais de 9 milhões que escolheram outros candidatos no primeiro turno e os 33,4 milhões que não compareceram às urnas.
Flávio terminou a primeira etapa da eleição presidencial na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença de apenas 1,87 ponto percentual, equivalente a aproximadamente 2,2 milhões de votos, deixou aberta a disputa marcada para 25 de outubro.
Os demais candidatos concentraram cerca de 9,3 milhões de votos. Esse contingente tornou-se um dos principais alvos das campanhas, especialmente porque parte significativa dos presidenciáveis derrotados estava posicionada no campo da direita e centro-direita.
Flávio busca consolidar vantagem
Para Flávio Bolsonaro, uma das prioridades é transformar a vantagem obtida no primeiro turno em uma maioria capaz de assegurar a vitória.
O candidato do PL aposta principalmente na transferência de votos dos eleitores que escolheram nomes como Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Caiado e Zema já manifestaram preferência por Flávio no segundo turno.
Os votos da chamada terceira via estão concentrados principalmente nos maiores colégios eleitorais. Somente em São Paulo, aproximadamente 2,5 milhões de eleitores votaram em candidatos que ficaram fora do segundo turno. Minas Gerais reúne cerca de 1 milhão desse grupo, enquanto o Rio de Janeiro tem aproximadamente 700 mil.
Goiás também aparece como território importante. No estado, os candidatos que não avançaram reuniram proporcionalmente uma das maiores parcelas do eleitorado, enquanto Flávio terminou o primeiro turno com ampla vantagem sobre Lula.
Lula mira abstenção
A estratégia de Lula passa principalmente pela tentativa de levar às urnas parte dos brasileiros que não votaram no primeiro turno.
A abstenção chegou a 33,4 milhões de pessoas, equivalente a pouco mais de 21% do eleitorado. O número representa um dos maiores desafios para as duas campanhas, porque supera com ampla margem a diferença registrada entre os finalistas.
O Nordeste ocupa posição central nessa estratégia. Aproximadamente 8 milhões de eleitores da região não compareceram às urnas.
Lula venceu nos nove estados nordestinos e recebeu cerca de 63,8% dos votos válidos na região, contra aproximadamente 30,9% de Flávio Bolsonaro. Em números absolutos, o petista conquistou aproximadamente 21,5 milhões de votos, enquanto Flávio recebeu cerca de 10,4 milhões.
A campanha petista avalia que aumentar o comparecimento nos redutos onde Lula mantém maior vantagem pode ser um dos caminhos para compensar os 2,2 milhões de votos que separam os candidatos.
São Paulo Minas e Rio também entram na mira
O desafio da abstenção não está restrito ao Nordeste. São Paulo teve mais de 7,6 milhões de eleitores ausentes no primeiro turno. Em Minas Gerais foram aproximadamente 3,7 milhões e, no Rio de Janeiro, cerca de 2,9 milhões.
Os três estados, além de formarem os maiores colégios eleitorais do país, tiveram desempenho favorável a Flávio Bolsonaro no primeiro turno, tornando-se fundamentais para a estratégia do candidato do PL de preservar a vantagem.
Com a polarização já elevada, conquistar novos eleitores pode ser mais difícil do que mobilizar quem deixou de votar. Ao mesmo tempo, os mais de 9 milhões de votos destinados aos candidatos eliminados representam um contingente mais de quatro vezes superior à diferença que separou Flávio e Lula.
Até 25 de outubro, portanto, a disputa deverá avançar em duas frentes: convencer os eleitores da terceira via a escolher um dos finalistas e levar novamente às urnas milhões de brasileiros que ficaram fora do primeiro turno.
Da redação Mídia News Campo Grande





