Governo Trump denuncia censura no Brasil após X alterar algoritmo por regra eleitoral
Subsecretária de Estado Sarah B. Rogers critica norma eleitoral brasileira após plataforma limitar recomendação automática de publicações políticas durante campanha de 2026

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer críticas às regras brasileiras para as redes sociais depois que a plataforma X modificou seu sistema de recomendação de conteúdos para atender às normas eleitorais estabelecidas para as eleições de 2026.
A manifestação partiu da subsecretária de Estado para Diplomacia Pública, Sarah B. Rogers, que classificou como censura a interferência regulatória sobre a forma como conteúdos políticos são distribuídos nas plataformas digitais. Rogers ocupa oficialmente o cargo de subsecretária de Estado para Diplomacia Pública no governo Trump.
A crítica surgiu após o X informar mudanças destinadas ao cumprimento da regulamentação eleitoral brasileira. Segundo informações divulgadas sobre a alteração, publicações oficiais de candidatos continuam disponíveis na plataforma, mas podem deixar de ser recomendadas automaticamente para usuários que não acompanham determinadas contas. A medida afeta, portanto, o alcance algorítmico das postagens, e não necessariamente sua permanência na rede.
Rogers afirmou que a situação evidencia o que o governo americano considera uma política de censura no Brasil. A declaração ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla da administração Trump contra regulações estrangeiras que, na avaliação de Washington, restringem indevidamente a liberdade de expressão em plataformas pertencentes a empresas americanas.
TSE exige transparência das plataformas
As regras aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral estabelecem uma série de obrigações para provedores de redes sociais e outros serviços digitais durante as eleições de 2026.
A Portaria nº 463, publicada pelo TSE em julho, determina que as empresas apresentem planos de conformidade detalhando mecanismos de recomendação, moderação, redução de alcance e tratamento de conteúdos político-eleitorais. A norma também exige informações sobre mudanças relevantes nos sistemas de recomendação durante o período eleitoral.
O texto prevê que as plataformas informem os principais critérios usados para “ordenar, recomendar, reduzir a distribuição ou limitar a circulação” de conteúdo político-eleitoral e apresentem métodos para comparar o alcance dessas publicações com conteúdos gerais.
O prazo para apresentação dos planos terminou neste domingo, 16 de agosto.
Para o TSE, as medidas fazem parte de uma estratégia destinada à prevenção de riscos à integridade das eleições, ao combate à desinformação e à ampliação da transparência sobre o funcionamento dos sistemas digitais.
Já integrantes do governo Trump sustentam que regras capazes de interferir na distribuição de conteúdos políticos podem ultrapassar o combate à desinformação e atingir a liberdade de expressão.
O episódio adiciona mais um ponto de tensão entre Washington e Brasília em torno da atuação do Judiciário brasileiro e da regulação das grandes plataformas digitais.
Da redação Mídia News Campo Grande





