O jornalista norte-americano Glenn Greenwald voltou a provocar repercussão no debate público brasileiro ao criticar duramente a atuação da jornalista Daniela Lima, do UOL News, durante entrevista com o presidente Lula, exibida nesta semana no Palácio do Planalto. As declarações foram publicadas na sexta-feira (6) na rede social X.
Segundo Greenwald, a postura adotada por Daniela Lima durante a entrevista teria extrapolado os limites da neutralidade jornalística, aproximando-se de uma atuação que, em sua avaliação, favorece o governo federal e setores do Supremo Tribunal Federal. Para o jornalista, a forma como a entrevistadora se dirigiu ao presidente, incluindo expressões faciais e tom adotado ao longo da conversa, evidenciaria uma relação de excessiva deferência.
A crítica ganhou maior destaque após uma ativista de esquerda elogiar publicamente a jornalista, afirmando que Daniela “representou” apoiadores do presidente durante a entrevista. Em resposta direta, Greenwald afirmou que a admiração da esquerda pela jornalista estaria ligada ao fato de ela atuar, segundo suas palavras, como uma “porta-voz leal e dedicada” do presidente e de ministros do STF. Para ele, esse tipo de comportamento poderia receber várias interpretações, mas não se enquadraria no conceito de jornalismo independente.
A entrevista concedida por Lula abordou temas sensíveis do atual cenário político e econômico. Entre os assuntos tratados estiveram questionamentos sobre o envolvimento de um dos filhos do presidente em investigações relacionadas ao INSS e a repercussão de uma reunião entre Lula, o presidente do Banco Central e o empresário Daniel Vorcaro, citado em apurações sobre suposta fraude bilionária envolvendo o Banco Master. Os temas, considerados delicados, exigiriam, segundo críticos, uma condução rigorosa e distanciada por parte da imprensa.
As declarações de Greenwald reacenderam discussões recorrentes sobre a imparcialidade da cobertura política no Brasil, especialmente quando jornalistas entrevistam autoridades de alto escalão. O episódio também expõe a polarização em torno da atuação da imprensa, frequentemente acusada por diferentes espectros ideológicos de alinhamento político. Enquanto apoiadores de Daniela Lima defendem sua condução profissional, críticos apontam a necessidade de reforçar critérios de isenção e questionamento crítico em entrevistas com figuras centrais do poder.
Da redação Mídia News




