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Lula critica big techs, mas governo destina mais de R$ 500 mil à Meta em poucos dias

Mesmo com discurso de enfrentamento às plataformas digitais, dados oficiais mostram alto investimento da Secom em anúncios no Facebook e Instagram

Apesar das reiteradas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às chamadas big techs, especialmente no que diz respeito ao poder econômico e à influência dessas empresas sobre a democracia, o governo federal segue destinando valores expressivos justamente a essas plataformas. Levantamento com base em dados públicos da própria Meta Platforms indica que a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) gastou entre R$ 537 mil e R$ 632,6 mil em anúncios veiculados nas redes do grupo, como Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp e Threads, em um intervalo inferior a uma semana.

Os investimentos ocorreram entre os dias 11 e 16 de janeiro e tiveram como foco a divulgação de ações institucionais do governo federal, além da promoção de programas e políticas públicas. O montante chama atenção pelo contraste com o discurso adotado por Lula e por integrantes do Executivo, que frequentemente criticam o poder concentrado das grandes plataformas digitais e defendem maior regulação do setor.

Entre as campanhas com maior volume de recursos, destaca-se uma ação voltada ao Rio Grande do Sul. O anúncio mais caro do período, exibido entre os dias 9 e 16, custou entre R$ 90 mil e R$ 100 mil e teve como objetivo divulgar iniciativas do governo no estado. Somados, os anúncios direcionados ao público gaúcho alcançaram um gasto estimado entre R$ 235 mil e R$ 280 mil.

O Ceará também figurou entre os principais alvos das campanhas publicitárias. Segundo os dados da Meta, os anúncios voltados ao estado consumiram entre R$ 118,2 mil e R$ 135,3 mil, reforçando a estratégia de comunicação regionalizada adotada pela atual gestão.

Outro destaque foi uma campanha específica sobre o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Apenas um anúncio relacionado ao tema, veiculado no dia 14, teve custo estimado entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. O valor contrasta com os investimentos destinados a outras áreas, como a indústria, que receberam apenas R$ 100 no mesmo período.

A discrepância entre o discurso crítico às big techs e a prática de destinar recursos públicos a essas plataformas levanta questionamentos sobre a coerência da política de comunicação do governo. Embora o Planalto defenda maior controle e regulação das empresas de tecnologia, a Meta segue como um dos principais canais utilizados para divulgação institucional, concentrando parcela significativa da verba publicitária federal.

Da redação Mídia News

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