Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária e pressão por impeachment
Colapso do Ueno Bank deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso ao dinheiro, provocou protestos e abriu uma crise política no país vizinho; vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o governo

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5 de novembro de 2026), em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição bancária com a qual manteve vínculos empresariais no passado. A decisão ocorreu durante a discussão de um processo de impeachment no Congresso Nacional e após o mandatário perder apoio de integrantes de seu próprio partido.
A saída de Peña, eleito em 2023 pelo Partido Colorado, representa uma das maiores crises institucionais recentes do Paraguai e provoca incertezas sobre a estabilidade econômica e política do país, que mantém importantes relações comerciais com o Brasil, especialmente com Mato Grosso do Sul.
Crise bancária atingiu quase metade da população
O principal motivo da crise foi a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição financeira que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes, número próximo da metade da população paraguaia.
A medida foi adotada depois que autoridades identificaram problemas de solvência e irregularidades na situação financeira da instituição.
Com a intervenção, milhares de correntistas ficaram impossibilitados de movimentar suas contas e acessar suas economias, provocando manifestações populares e aumentando a pressão sobre o governo.
A situação ganhou proporções ainda maiores diante da informação de que o banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores vinculados à previdência e a outros organismos estatais.
Presidente enfrentava pressão por impeachment
Santiago Peña passou a ser questionado por suas antigas relações empresariais com o grupo que controlava o Ueno Bank.
Parlamentares da oposição levantaram suspeitas de conflitos de interesses e possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos. O presidente negou envolvimento em práticas ilícitas e defendeu que eventuais responsabilidades fossem apuradas pela Justiça.
A crise também atingiu integrantes do sistema financeiro paraguaio. O presidente do Banco Central deixou o cargo, enquanto executivos ligados ao banco passaram a ser investigados.
Na Câmara dos Deputados, parlamentares aprovaram, por 78 votos a zero, o prosseguimento da acusação para impeachment de Peña, mesmo após o anúncio de sua renúncia. O processo ainda dependia de apreciação pelo Senado.
Peña afirma que renunciou para preservar a estabilidade
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Santiago Peña afirmou que sua decisão teve como objetivo preservar a paz social e o funcionamento das instituições democráticas.
O presidente também pediu desculpas à população e manifestou preocupação com os clientes prejudicados pelo fechamento do banco.
Peña defendeu a devolução dos depósitos, o funcionamento dos mecanismos de garantia bancária e a proteção dos recursos públicos comprometidos na instituição financeira.
Vice-presidente deverá assumir o governo
Com a renúncia, a expectativa é de que o vice-presidente Pedro Alliana, também integrante do Partido Colorado, assuma a Presidência do Paraguai após a conclusão dos procedimentos constitucionais.
Alliana deverá completar o mandato presidencial previsto até 15 de agosto de 2028.
A transição ocorre em um momento delicado para a economia paraguaia, diante da necessidade de recuperar a confiança no sistema bancário e garantir estabilidade às instituições públicas.
Crise pode repercutir em Mato Grosso do Sul
A instabilidade política no Paraguai também desperta atenção em Mato Grosso do Sul, estado que mantém relações comerciais, turísticas e logísticas com o país vizinho.
Municípios como Ponta Porã e Porto Murtinho possuem ligações econômicas importantes com o território paraguaio, especialmente nas atividades de comércio, transporte e integração regional.
Outro ponto de atenção é a Rota Bioceânica, corredor internacional que pretende conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma alternativa logística para o escoamento da produção brasileira em direção aos portos do Oceano Pacífico.
Embora ainda não existam informações confirmadas sobre alterações no cronograma das obras em decorrência da crise, a estabilidade institucional paraguaia é considerada importante para a continuidade dos investimentos e dos acordos internacionais.
A expectativa é de que a sucessão presidencial preserve os compromissos diplomáticos e econômicos assumidos pelo Paraguai, incluindo os projetos de integração com Mato Grosso do Sul.
O desdobramento da crise bancária e a definição da nova liderança política deverão permanecer no centro das atenções nos próximos dias.
Da redação Mídia News Campo Grande





