A nomeação de Elisandra Araújo Gama, de 28 anos, para um cargo comissionado no Serviço Geológico do Brasil (SGB) voltou a levantar questionamentos sobre a presença de parentes de autoridades em estatais federais. Sobrinha da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), a advogada foi designada no último dia 21 de janeiro para atuar como assistente de Departamento na Consultoria Jurídica da instituição, com remuneração mensal de R$ 12,9 mil.
O caso ganhou repercussão por envolver não apenas o grau de parentesco com a parlamentar, mas também o histórico da estatal. O SGB é vinculado ao Ministério de Minas e Energia e já foi presidido por Inácio Cavalcante Melo, ex-marido de Eliziane Gama. A gestão dele à frente do órgão ocorreu durante o período em que ainda era casado com a senadora.
Elisandra é filha de Eliel Gama, atual presidente do Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão. A nomeação ocorreu meses após a saída de Inácio Melo do comando do SGB, que deixou o cargo após denúncias envolvendo o uso de recursos públicos para custear despesas pessoais, como hospedagens em hotéis de alto padrão e gastos elevados com alimentação em cidades como Florianópolis e Maceió.
Após a exoneração de Inácio, a senadora passou a defender a indicação de Gledson da Silva Brito para a presidência da estatal. Brito havia atuado diretamente como assessor do ex-dirigente durante sua gestão, o que reforçou críticas sobre a continuidade de um mesmo grupo político-administrativo no comando do órgão.
Procurada, Eliziane Gama afirmou que a nomeação da sobrinha ocorreu dentro da legalidade. Segundo a senadora, Elisandra possui formação jurídica compatível com a função e atendeu a todos os requisitos exigidos para o cargo. “A indicada é advogada, tem qualificação técnica e a nomeação seguiu rigorosamente os critérios legais”, declarou ao portal Metrópoles.
Apesar da explicação, o episódio reacende o debate sobre governança, transparência e critérios técnicos na ocupação de cargos em estatais federais. Especialistas em administração pública apontam que, embora nem toda nomeação de parente seja ilegal, a prática tende a gerar questionamentos sobre conflito de interesses, impessoalidade e moralidade administrativa — princípios previstos na Constituição.
O caso ocorre em meio a um cenário de maior escrutínio sobre indicações políticas em órgãos públicos, especialmente quando envolvem vínculos familiares e histórico de gestão controversa.
Da redação Midia News





