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Gleisi tenta conter reação evangélica após desfile pró-Lula gerar desgaste político

Ministra busca minimizar críticas de líderes religiosos, mas episódio expõe aproximação do Planalto com escola de samba e amplia pressão sobre governo

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, intensificou esforços para conter a repercussão negativa entre evangélicos após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que gerou forte reação de setores religiosos. Em publicação nas redes sociais, a ministra classificou como “pecado” as acusações de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promove ataques à família e às igrejas.

A declaração, no entanto, não foi suficiente para reduzir o impacto político do episódio. Isso porque informações divulgadas pela imprensa indicam que o Palácio do Planalto já tinha conhecimento prévio do conteúdo apresentado no desfile. Entre os pontos mais criticados está uma ala que fazia referência irônica à estrutura familiar, o que foi interpretado por grupos cristãos como desrespeito a valores religiosos.

Segundo apurações, Gleisi participou de ao menos duas reuniões com representantes da escola de samba ao longo do último ano. Além disso, a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, também esteve presente no barracão da agremiação durante ensaios que antecederam o Carnaval, evidenciando proximidade entre integrantes do governo e a produção do desfile.

Outro elemento que reforça essa ligação é a atuação do vereador Anderson Pipico, ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e apontado como presidente de honra da escola. A conexão política tem sido explorada por adversários como argumento para contestar a versão de que o governo desconhecia o teor das apresentações.

Nas redes sociais, Gleisi reagiu às críticas classificando-as como “oportunismo” e “hipocrisia” da oposição. A ministra também afirmou que há uma tentativa de repetir narrativas utilizadas durante a campanha eleitoral de 2022, especialmente aquelas relacionadas à suposta perseguição a igrejas.

Apesar da estratégia de comunicação, o episódio acendeu um alerta dentro do governo. Pesquisas recentes apontam que a rejeição entre evangélicos varia entre 60% e 70%, enquanto entre católicos gira em torno de 40%. A preocupação é que o caso reforce percepções negativas já existentes nesse segmento.

Aliados do governo acompanham com atenção os próximos levantamentos de opinião, sobretudo os recortes por religião. A avaliação interna é que o desgaste pode ter impacto duradouro, principalmente se contribuir para a mobilização de eleitores religiosos em torno de pautas conservadoras.

Para lideranças evangélicas, a fala da ministra não foi interpretada como gesto de reconciliação, mas como tentativa de resposta tardia diante de um episódio que ganhou grande repercussão. O caso evidencia os desafios do governo em equilibrar sua base política com diferentes segmentos da sociedade, especialmente em temas sensíveis como religião e valores familiares.

Da redação Mídia News

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