
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entrou no mercado da moda urbana com o lançamento de uma coleção de camisetas em parceria com a marca mineira Chico Rei. A iniciativa, que traz o slogan “moda é manifesto”, rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, impulsionada tanto pela proposta política quanto pelos valores das peças.
Produzidas em Juiz de Fora (MG), as camisetas são apresentadas como 100% veganas e possuem certificação da organização internacional PETA (People for the Ethical Treatment of Animals). O preço também chamou atenção: a peça mais cara da coleção é vendida por R$ 169,90, com possibilidade de parcelamento.
Reações divididas nas redes sociais
A divulgação da linha provocou uma série de reações entre consumidores e seguidores da marca. Parte do público criticou o valor das camisetas, considerando-o elevado para produtos associados a um movimento popular.
Também houve questionamentos sobre o conteúdo político das estampas. Uma das peças mais comentadas traz o número 13, frequentemente associado ao Partido dos Trabalhadores (PT), o que gerou desconforto entre alguns apoiadores do próprio MST.
Comentários como “quem lacra não lucra” e críticas à mistura entre militância e consumo foram registrados nas redes sociais, evidenciando a polarização em torno do lançamento.
Proposta vai além da moda, diz movimento
Segundo a dirigente nacional do MST, Tuira Tule, a coleção faz parte de uma estratégia maior de atuação cultural. A ideia, conforme declarou, é disputar espaço no imaginário popular por meio da chamada “batalha das ideias”.
Para o movimento, o uso do vestuário como ferramenta de expressão política pode ajudar a reduzir estigmas históricos e aproximar realidades distintas, como o campo e a cidade.
Estrutura empresarial e faturamento
A parceria também chama atenção pelo porte da empresa envolvida. Dados divulgados pela revista Forbes indicam que a Chico Rei alcançou faturamento de aproximadamente R$ 35 milhões em 2025, com a comercialização de cerca de 500 mil peças.
A empresa mantém ainda uma unidade de produção dentro da Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, em Minas Gerais, onde desenvolve projetos de capacitação profissional com detentos.
Em publicação nas redes sociais, a marca informou que parte do lucro obtido com a nova coleção será revertida ao MST, embora o percentual não tenha sido divulgado.
A iniciativa evidencia uma nova frente de atuação do movimento, que passa a explorar o mercado de consumo como espaço de influência política e cultural, ao mesmo tempo em que levanta debates sobre coerência ideológica, precificação e estratégias de comunicação.
Da redação Mídia News





