
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, foi desconvidado de participar do Encontro Estadual do Partido Novo em Santa Catarina, marcado para o dia 4 de julho, em Joinville. A decisão do diretório catarinense ocorreu após a intensificação da crise entre o presidenciável do Novo e integrantes da família Bolsonaro, especialmente depois da pressão pública exercida por Eduardo Bolsonaro.
O episódio teve origem nas declarações feitas por Zema em entrevista ao canal Brasil Paralelo. Na ocasião, o ex-governador voltou a criticar a proximidade do senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido em investigações relacionadas ao antigo Banco Master.
“Teria como eu aplaudir alguém que se aproxima do maior banqueiro bandido da história do Brasil? Quem anda com bandido merece ser visto com cautela”, afirmou Zema durante a entrevista, reacendendo o desconforto dentro do campo conservador.
A reação veio rapidamente. Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro defendeu o rompimento total das alianças entre o PL e o Novo em todo o país.
“Por mim, rompia geral com o partido Novo”, escreveu o parlamentar, acusando Zema de atacar Flávio Bolsonaro por disputa de espaço político dentro da direita.
Em Santa Catarina, onde PL e Novo mantêm uma aliança estratégica, lideranças estaduais optaram por retirar o convite feito ao ex-governador mineiro. Em nota divulgada inicialmente à imprensa e posteriormente apagada, o presidente do diretório estadual do Novo, Kahlil Elias Assib Zattar, informou que o partido não manteria a participação de Zema no encontro e chegou a sugerir que Santa Catarina poderia se posicionar contra sua candidatura presidencial caso não houvesse mudanças na condução política e de comunicação do pré-candidato.
A decisão evidencia as dificuldades enfrentadas pela direita para construir uma candidatura unificada para as eleições de 2026. Até poucos meses atrás, Zema era apontado por aliados bolsonaristas como possível integrante de uma chapa nacional. Agora, o relacionamento entre os grupos atravessa um dos momentos mais delicados desde o início das articulações eleitorais.
Nos bastidores, dirigentes do Novo em Minas Gerais classificaram o episódio como “desnecessário” e resultado de pressões externas, afirmando que a medida adotada em Santa Catarina não representa o posicionamento nacional da legenda.
Com o cenário eleitoral ainda em formação, o episódio reforça que a disputa pela liderança da oposição ao presidente Lula tende a ser marcada por conflitos internos, divergências estratégicas e disputa por protagonismo.
Da redação Mídia News





