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Relatório do Senado aponta demora em atendimento médico a Clezão na Papuda e levanta questionamentos sobre atuação do sistema prisional

Documento indica que o tempo de resposta ao socorro pode ter influenciado o desfecho do caso; morte do preso do 8 de Janeiro segue sendo alvo de debates e apurações

Um relatório elaborado no âmbito do Senado Federal apontou que a demora no atendimento médico prestado a Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, pode ter contribuído para sua morte enquanto estava preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O documento reforça questionamentos sobre os protocolos de atendimento adotados pela unidade prisional e reacende o debate sobre a assistência médica oferecida a pessoas sob custódia do Estado.

Clezão morreu em 20 de novembro de 2023 após sofrer um mal súbito durante o banho de sol. Segundo registros oficiais da época, equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas e realizaram procedimentos de reanimação cardiopulmonar, mas o detento não resistiu.

O relatório do Senado menciona informações segundo as quais houve demora no acionamento e na prestação do atendimento emergencial, indicando que o intervalo entre o início do mal-estar e a chegada do socorro pode ter reduzido as chances de sobrevivência do preso. O documento não estabelece responsabilidade criminal, mas recomenda aprofundamento das investigações para esclarecer se houve falhas nos procedimentos adotados pela administração penitenciária.

Cleriston Pereira da Cunha estava preso preventivamente por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023. Sua defesa havia protocolado diversos pedidos de liberdade provisória, destacando problemas de saúde, incluindo hipertensão e diabetes. Em setembro de 2023, a Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente à revogação da prisão preventiva, entendimento que ainda aguardava decisão judicial quando ocorreu o falecimento.

Após a morte, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou que a direção da Papuda encaminhasse informações detalhadas sobre o caso, incluindo prontuário e histórico médico do detento. Paralelamente, órgãos públicos e parlamentares passaram a discutir as circunstâncias do atendimento prestado e a eventual necessidade de revisão dos protocolos de assistência médica em unidades prisionais.

O caso permanece sendo utilizado em debates políticos e jurídicos relacionados às prisões decorrentes dos atos de 8 de janeiro. Familiares e defensores de Cleriston sustentam que houve omissões que poderiam ter evitado sua morte, enquanto autoridades responsáveis pelas investigações continuam analisando as circunstâncias do episódio. Até o momento, não há decisão judicial definitiva atribuindo responsabilidade civil ou criminal pela morte de Clezão.

Da redação Mídia News

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