
O PT começou a usar pesquisas qualitativas para definir qual será o papel da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. A estratégia busca identificar os temas em que ela apresenta maior capacidade de comunicação com o eleitorado e, ao mesmo tempo, avaliar como sua exposição pode contribuir para a campanha presidencial.
Segundo informações publicadas nesta quarta-feira (22), dirigentes petistas já identificaram pelo menos duas áreas em que Janja apresenta melhor desempenho junto ao público: o combate à violência contra as mulheres e a defesa dos direitos dos animais. A intenção é utilizar os resultados dos levantamentos para orientar sua participação na campanha, especialmente nas áreas de comunicação e marketing.
A definição ocorre em um cenário no qual a imagem da primeira-dama já apresentou avaliações divididas em pesquisas anteriores. Levantamento Quaest divulgado em dezembro de 2024, por exemplo, mostrou que 28% dos entrevistados tinham opinião negativa sobre Janja, enquanto 22% manifestavam avaliação positiva. Outros 30% classificavam sua imagem como regular.
Isso ajuda a explicar por que o PT busca uma atuação mais direcionada para a primeira-dama em 2026. Em vez de uma exposição generalizada, os levantamentos qualitativos permitem identificar segmentos do eleitorado e assuntos nos quais sua participação pode gerar maior identificação.
O eleitorado feminino tende a ocupar espaço importante nessa estratégia. Além do enfrentamento à violência contra a mulher, dirigentes e aliados do governo têm procurado aproximar o debate político de questões cotidianas, como segurança, creches, mercado de trabalho e participação feminina nos espaços de poder. Movimentos ligados à esquerda também vêm tentando ampliar o diálogo com mulheres evangélicas, segmento no qual o PT historicamente enfrenta maior resistência.
A própria Janja aumentou sua exposição pública nas últimas semanas. Em entrevista concedida em julho, ela abordou participação feminina no governo e reagiu às críticas relacionadas às suas viagens, classificando parte delas como resultado de misoginia.
O desafio do PT será, portanto, transformar a visibilidade da primeira-dama em ativo eleitoral sem ignorar os índices de rejeição registrados anteriormente. As pesquisas qualitativas encomendadas pelo partido servirão justamente para calibrar essa participação e indicar onde Janja poderá ser mais eficiente na tentativa de ampliar a votação de Lula.
A informação de que o PT encomendou esses estudos e de que violência contra mulheres e defesa dos animais aparecem entre os temas de melhor desempenho de Janja foi publicada pelo Metrópoles e repercutida por outros veículos nesta quarta-feira.
Da redação Mídia News





