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Feiras livres movimentam bairros e garantem renda a milhares de famílias em Campo Grande

Capital conta com mais de mil feirantes cadastrados e atividade envolve cerca de 2,5 mil trabalhadores direta ou indiretamente, além de fortalecer a agricultura familiar

As feiras livres continuam desempenhando papel importante na economia e na rotina dos moradores de Campo Grande. Mais do que pontos tradicionais para a compra de frutas, verduras, alimentos frescos e produtos regionais, esses espaços ajudam a gerar emprego, renda e oportunidades para pequenos empreendedores e produtores da agricultura familiar.

Atualmente, Campo Grande possui 1.004 feirantes cadastrados. Segundo estimativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), aproximadamente 2.500 pessoas trabalham direta ou indiretamente na atividade, considerando produtores rurais, familiares, auxiliares, transportadores e fornecedores.

A presença das feiras nos bairros também contribui para manter a circulação de recursos dentro da própria comunidade. A relação direta entre produtor, comerciante e consumidor reduz intermediários e permite que pequenos negócios encontrem espaço para comercializar seus produtos.

Entre os trabalhadores que construíram a vida nas feiras está Wilson Gonçalves, que atua no setor há mais de 40 anos. Morador da zona rural de Campo Grande, ele produz as pokans comercializadas nas próprias feiras e afirma que a atividade foi responsável pelo sustento de sua família ao longo de décadas.

Outro exemplo é Aparecido Moraes, de 65 anos, feirante há mais de três décadas. Ele comercializa temperos e ervas medicinais, parte deles de produção própria. Para o trabalhador, além da qualidade dos produtos, a proximidade criada entre comerciantes e consumidores é uma característica que diferencia as feiras do comércio convencional.

Tradição que atravessa gerações

A atividade também permanece como tradição familiar. Yutaca Kudo, de 56 anos, trabalha nas feiras desde criança e tem nesse comércio sua principal fonte de renda. Segundo ele, o movimento varia bastante de um dia para outro, exigindo adaptação dos trabalhadores, mas a feira permanece fundamental para sua família.

Do lado dos consumidores, a procura por alimentos frescos ajuda a preservar hábitos antigos. Aos 84 anos, o aposentado André da Silva pedala cerca de 30 minutos todas as quintas-feiras para fazer compras na Feira do Coophavilla. Para ele, a qualidade e o frescor dos alimentos compensam a distância percorrida.

A maior feira livre da Capital é a Feira das Moreninhas, que reúne aproximadamente 460 feirantes e se consolidou como uma das principais referências do comércio popular e do abastecimento de alimentos em Campo Grande.

Além dos próprios comerciantes, a atividade movimenta uma cadeia formada por produtores rurais, fornecedores de insumos, transportadores, fabricantes de equipamentos e prestadores de serviços.

As feiras livres de Campo Grande são regulamentadas pela Lei Complementar nº 223, de 8 de janeiro de 2014. A Semades também realiza recadastramento dos permissionários e remarcação dos espaços destinados às bancas, com o objetivo de atualizar informações e organizar a ocupação das áreas públicas.

Quem pretende ingressar na atividade deve protocolar presencialmente o pedido de vaga na Central de Atendimento ao Cidadão (CAC). A solicitação é posteriormente analisada pela Semades, levando em consideração a disponibilidade de espaços e as regras estabelecidas pela legislação municipal.

Da redação Mídia News

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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