Jeremy Bentham, filósofo e jurista desenvolveu o princípio do Utilitarismo, onde uma ação humana seria útil e adequada, quando produz benefícios, vantagens que se traduziria em prazer e felicidade mesmo num meio hostil, integrando-se de forma harmoniosa ao meio orgânico e inorgânico de território.
Utilitarismo estaria portanto ancorado nos resultados e consequências reais das ações, nunca numa expectativa utópica ou intenção de criar um paraíso futuro.
Estas dúvidas morais e filosóficas, surgiram no workshop patrocinado na UFMS pelo UCL University College of London em Campo Grande, que tem por patrono justamenteJeremy Bentham, onde avaliou-se o avanço do monitoramento remoto permanente como eixo central para a conservação do Pantanal.
Pantaneiros, diante da aparição de um ser ou objeto desconhecido, sempre buscam verificar se aquilo provém de um anjo, com quem deve-se dividir tudo e aceitá-lo como portador de bençãos ou uma aparição nefasta anunciando novos malefícios.
Isto posto, consultada a própria internet nos dá conta do que se apresenta por aqui : “-O monitoramento por câmeras no Pantanal está sendo realizado por meio de duas frentes tecnológicas principais: torres de vigilância com inteligência artificial para detecção de incêndios e cameras-trap (armadilhas fotograficas) para o estudo e proteção da vida selvagem.”
Esse ecosistema tecnológico integra a ÓRGÃOS PÚBLICOS, INSTITUTOS DE PESQUISA e FORÇAS DE SEGURANCA para PROTEGER O PANTANAL em tempo real.(grifo nosso)
O formato arredondado do Pantanal ao Ocidente e as câmeras instaladas nas elevações (torres?) ao Oriente, levou-nos a um outro modelo imaginado por Bentham ainda no Século 18, o Panopticon: uma torre de vigilância central e um prédio semi oval, para que um único vigia controlasse inúmeros prisioneiros, arquitetura utilitarista para que a sociedade tivesse menor custo no controle dos elementos condenados a afastar-se do convívio social.
O panóptico imaginado por Jeremy Bentham chegou ao Século XX aplicado na arquitetura de alguns hospícios e prisões, levando Michel Foucalt a utilizaá-lo em seu estudo publicado sob o título VIGIAR e PUNIR , esse conceito representa uma metáfora perfeita dos mecanismos contemporâneos tecnológicos de vigilância invisível, um moderno Monitoramento Panóptico.
Pantaneiro presente ao Workshop comprovou que, em se tratando de Pantanal, a ampliação do monitoramento invisível, certamente abandonou estrategicamentr a égide filosófica do utilitarismo comum e assumiu a distópica bizarrice do Vigiar e Punir, pois até empreendimentos privados com claros interesses econômicos no Pantanal, adquiriram milionárias Indulgências plenárias e as “doaram” como equipamentos para se tornarem, também,heróicos mega guardiões da preservação do Pantanal.
Pantaneiros céticos sabem que o pulso de enchente 1974 a 1986 serviu para negacionistas provarem a inviabilidade econômica do Pantanal e fomos saqueados do gado e terras a preço vil.
O pulso de seca a partir de 2018 desnudosu um fato, todos os fazendeiros tradicionais que conseguiram fazer a travessia da enchente para a seca no Pantanal, poderiam ser linchados virtualmente por uma heroica população urbana punindo esses responsáveis pelos incêndios que passaram a ocorrer,, bastando serem apontados como culpados pela tal vigilância.
Pantaneiro volta a expor que esse panóptico monitoramento em proveito próprio por parte principalmente de incendiárias rppns, verdadeiros hiper latifúndios homiziados semanticamente como midiáticas e, inúteis, Redes de Proteção.
E informa que até na mais humilde cabana do Pantanal todos os moradores estão conectadas por milhares de celulares, universalizados em suas mãos, que podem efetivamente os defender de quem acha que o monitoramento é um instrumento único do poder de vigiar invisivelmente e punir e amedrontar localmente.
As bases prevista do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Mato Grosso do Sul , espalhados por todo o Pantanal são os únicos instrumentos de Comando e Controle com o poder de avaliar se um incêndio teve sua propagação destrutiva originada de uma ignição criminosa ou possa ser atribuído nas Unidades de Conservação ao acúmulo de material vegetal desvitalizado sem nenhuma medida de mitigação ou proteção contra o bomba permanente desse combustível acumulado.
Mas a faceta mais humilhante desses monitoramentos enviesados, trata da punição arbitrária e discricionária por parte agentes empoderados, que julgam, condenam e multam sumariamente.
A distância e as dificuldades de acesso aos estratificados moradores do Pantanal, não deve ser impeditivo do devido processo legal, do pleno exercício do direito de defesa, e principalmente, levar a cessar de imediato a inversão do ônus da prova, comprovar sua inocência após uma punição ou linchamento sumário, por uma destruição a que certamente não deu causa.
Que os frutos benéficos da criação pastoril simbiótica com a manutenção da flora e fauna , comprovados na beleza ainda existente no Pantanal, não permita que o velho PRODECER (Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados) onde o Pantanal e os pantaneiros pagarem por alimentarem e engordarem os tigres de papel até que se transformassem nos poderosos tigres econômicos asiáticos de hoje.
Que sejam atualizados tantos diagnósticos, monitoramentos, avaliações, auditorias e pericias , quantos sejam necessários para que se crie um fundo de compensação aos Impactos Ambientais e Sócio Econômicos na Planicicie no BAP Bacia do Alto Paraguai, como remuneração a boas práticas tradicionais pantaneiras, e seja imediatamente descontinuado a narrativa deste monstruoso lobby politico e econômico manipulando um novo Prodecer, para que a banca internacional e seus agentes nacionais inocentem os colegas causadores e agora lucrem novamente com as commodities ambientais que são fruto exclusivo da resiliência da cultura tradicional pantantaneira no enfrentamento a mudanças climáticas e tatas e poderosas manipulações estratégicas políticas e econômicas.

Que triunfe Jeremy Bentham e os pantaneiros sejam felizes usufruindo do valor moral dos resultados e frutos alcançados, principalmente apos quarenta anos enfrentando utopias irrealizáveis que são responsáveis diretos por causarem tanto assoreamento, verdadeiras barragens nos rios da Planície e do fogo amigo virar avassaladores incêndios nas áreas sem criação de gado.
Armando Arruda Lacerda
Porto São Pedro




