A aproximação das eleições de 2026 começa a exercer maior influência sobre o mercado financeiro brasileiro e já provoca mudanças nas projeções para o câmbio. O Goldman Sachs revisou suas estimativas para o dólar e avalia que a volatilidade dos ativos nacionais deverá aumentar nos próximos meses, à medida que a disputa eleitoral avance.
De acordo com relatório do banco, a nova projeção aponta o dólar a R$ 5,20 no horizonte de três meses, acima dos R$ 4,90 previstos anteriormente. Para seis meses, a estimativa passou de R$ 5,00 para R$ 5,10. No horizonte de 12 meses, entretanto, o Goldman manteve a expectativa de R$ 5,00 para a moeda norte-americana.
A revisão acontece em meio ao enfraquecimento recente do real e ao aumento da percepção de risco envolvendo o Brasil. Nesta segunda-feira (17), o dólar chegou à região de R$ 5,25, alcançando o maior patamar desde março. Nas cinco sessões anteriores, a moeda americana acumulou valorização de aproximadamente 3,3%.
Além das eleições, investidores acompanham com atenção a situação fiscal brasileira, o comportamento dos juros e o fluxo de recursos estrangeiros. A saída de capital da Bolsa também tem contribuído para aumentar a pressão sobre os ativos nacionais. O Ibovespa chegou à semana acumulando nove pregões consecutivos de queda e perda superior a 7% no período.
O ambiente político ganhou ainda mais espaço nas decisões dos investidores nas últimas semanas. Pesquisa eleitoral divulgada recentemente e as dúvidas sobre a condução futura das contas públicas estiveram entre os fatores apontados pelo mercado para explicar o aumento da aversão ao risco.
Apesar da revisão das projeções de curto prazo, o cenário do Goldman Sachs não indica uma disparada permanente da moeda americana. A manutenção da estimativa de R$ 5,00 para 12 meses mostra que o banco ainda considera possível uma estabilização do câmbio após o período de maior incerteza associado às eleições.
Até lá, porém, o mercado deverá permanecer sensível às pesquisas eleitorais, propostas econômicas dos candidatos, perspectivas para as contas públicas e movimentação dos investidores estrangeiros. Esses fatores podem provocar oscilações mais intensas tanto no dólar quanto na Bolsa brasileira nos próximos meses.
Da redação Mídia News Campo Grande





