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Lula cita mágoa com Toffoli e reforça distância na relação com ministro do STF

Presidente relembra episódio de 2019 envolvendo o enterro do irmão Vavá e compara decisão do ministro com tratamento recebido quando estava preso durante a ditadura militar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a expor publicamente o ressentimento que mantém em relação ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante ato de campanha realizado neste domingo (16), em São Bernardo do Campo (SP), Lula relembrou o episódio de 2019 em que não conseguiu acompanhar o enterro do irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá.

Ao abordar sua trajetória pessoal e sindical, Lula comparou aquele episódio com o tratamento que recebeu quando esteve preso em 1980, durante a ditadura militar, por causa das greves dos metalúrgicos do ABC.

Segundo o presidente, Romeu Tuma, então responsável pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, permitia que ele deixasse a prisão para visitar a mãe, Dona Lindu, que estava doente. Lula também afirmou que recebeu autorização para comparecer ao funeral dela.

O petista contrapôs essa situação ao que ocorreu em janeiro de 2019, quando estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e recebeu a notícia da morte do irmão Vavá.

“Você veja a diferença. No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei não permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro do meu irmão Vavá”, declarou Lula.

Decisão de Toffoli

Vavá morreu em 29 de janeiro de 2019, aos 79 anos, vítima de câncer. A defesa de Lula solicitou autorização para que o então ex-presidente viajasse de Curitiba a São Bernardo do Campo para participar do velório e do sepultamento.

Após negativas nas instâncias inferiores, o caso chegou ao STF. Toffoli, que presidia a Corte, concedeu autorização parcial para que Lula deixasse a prisão e se encontrasse com familiares em uma unidade militar, mas não autorizou sua participação no velório e no cemitério nos termos solicitados pela defesa. A decisão acabou sendo divulgada quando o sepultamento já estava em andamento, e Lula decidiu permanecer em Curitiba.

O episódio tornou-se um dos principais pontos de desgaste na relação entre os dois. Toffoli havia sido indicado por Lula para integrar o Supremo em 2009.

Em dezembro de 2022, durante a diplomação de Lula após a eleição presidencial, Toffoli teria procurado o petista e pedido desculpas pela decisão de 2019. Apesar de uma reaproximação posterior, a relação voltou a enfrentar desgaste nos últimos meses.

A declaração feita no primeiro ato da campanha de reeleição mostra que o episódio envolvendo Vavá continua presente no discurso de Lula e evidencia que as divergências pessoais com o ministro ainda não foram completamente superadas.

Da redação Mídia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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