David Morens, ex-assessor de Fauci, admite culpa por ocultar registros sobre Covid-19 nos EUA
Ex-integrante do NIAID reconheceu conspiração para burlar leis de transparência e esconder documentos federais relacionados a pesquisas durante a pandemia

David Morens, ex-assessor sênior de Anthony Fauci no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID), declarou-se culpado de participar de uma conspiração para ocultar registros públicos relacionados à pandemia de Covid-19 e ao financiamento de pesquisas. A confissão ocorreu em tribunal federal em Greenbelt, no estado de Maryland.
Morens, de 78 anos, admitiu culpa por uma acusação de conspiração para cometer delitos e fraudar o governo dos Estados Unidos. Segundo os promotores, ele utilizou deliberadamente uma conta pessoal de e-mail para tratar de assuntos oficiais e evitar que determinadas comunicações fossem alcançadas por solicitações feitas com base na Lei de Liberdade de Informação, conhecida pela sigla FOIA.
A investigação apontou que as práticas ocorreram no contexto de pedidos de documentos envolvendo pesquisas sobre a Covid-19 e recursos federais destinados a estudos científicos. Entre os assuntos analisados estavam discussões relacionadas ao cancelamento e à tentativa de restabelecimento de financiamento para pesquisas envolvendo coronavírus de morcegos.
Documentos judiciais também indicam que Morens orientou pelo menos um interlocutor a manter determinadas comunicações fora dos sistemas oficiais de telefone e e-mail do governo. O caso ganhou repercussão por envolver discussões relacionadas à EcoHealth Alliance, organização que financiou pesquisas em colaboração com o Instituto de Virologia de Wuhan, na China.
Morens trabalhou durante anos como assessor de Fauci, que comandou o NIAID por quase quatro décadas e se tornou uma das principais autoridades públicas dos Estados Unidos durante a pandemia. Apesar dessa proximidade profissional, Fauci não foi acusado de participação no esquema pelo qual Morens admitiu culpa. O ex-diretor do NIAID já afirmou em depoimento ao Congresso que desconhecia as ações adotadas pelo antigo assessor.
O processo contra Morens surgiu após investigações no Congresso americano sobre a resposta das autoridades à pandemia e as origens do coronavírus. A questão permanece controversa, com diferentes avaliações sobre a hipótese de transmissão natural do vírus e a possibilidade de um incidente relacionado a laboratório. A confissão de Morens diz respeito à ocultação e ao gerenciamento de registros públicos, não representa, por si só, comprovação de uma determinada origem da Covid-19.
A sentença está marcada para 12 de novembro de 2026. Morens poderá receber pena de até cinco anos de prisão pela acusação à qual se declarou culpado. Seu advogado, Timothy Belevetz, afirmou que o ex-assessor assumiu responsabilidade por seus atos.
Da redação Mídia News Campo Grande




