Comércio do Brasil com Sudeste Asiático pode superar EUA e União Europeia, diz Mauro Vieira
Chanceler afirma que intercâmbio com países da Asean cresceu dez vezes desde 2003 e pode ultrapassar parceiros tradicionais em meio à busca brasileira por novos mercados

O comércio entre o Brasil e os países do Sudeste Asiático poderá superar, em um futuro próximo, o volume de negócios mantido com parceiros tradicionais, como Estados Unidos e União Europeia. A avaliação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante encontro realizado em Brasília com o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), Kao Kim Hourn.
A reunião ocorreu nesta terça-feira (18) e reforçou a estratégia brasileira de ampliar a presença econômica na região asiática, especialmente em um momento de maior tensão nas relações comerciais com os Estados Unidos devido às novas tarifas impostas sobre produtos brasileiros.
Segundo Mauro Vieira, o intercâmbio comercial entre Brasil e Asean apresentou forte expansão nas últimas duas décadas. O comércio passou de aproximadamente US$ 3 bilhões, em 2003, para US$ 38 bilhões em 2025, crescimento de cerca de dez vezes no período.
O desempenho levou o chanceler a projetar que, mantido o ritmo de crescimento, o bloco asiático poderá ultrapassar Estados Unidos e União Europeia entre os principais parceiros comerciais brasileiros.
A Asean reúne atualmente 11 países do Sudeste Asiático e representa uma região considerada estratégica pelo governo brasileiro devido ao crescimento econômico, à expansão da classe média e à demanda por alimentos, energia, matérias-primas e produtos industrializados.
Brasil busca diversificar mercados
A aproximação com o Sudeste Asiático ocorre paralelamente aos esforços do governo para reduzir a dependência de mercados tradicionais e ampliar destinos para as exportações brasileiras.
A estratégia ganhou ainda mais importância diante das tarifas adotadas pelos Estados Unidos. Dados recentes apontam que as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, para cerca de US$ 21 bilhões, com impacto mais acentuado justamente entre produtos submetidos às maiores sobretaxas.
O governo brasileiro tem afirmado que pretende privilegiar a negociação diplomática com Washington, ao mesmo tempo em que procura fortalecer relações comerciais com outros mercados. O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou recentemente que o país pretende manter boas relações tanto com os Estados Unidos quanto com outros grandes parceiros comerciais.
Nesse cenário, a expansão dos negócios com a Asean aparece como uma das alternativas para diversificar o comércio exterior brasileiro e ampliar a presença do país na região da Ásia-Pacífico.
Da redação Mídia News Campo Grande





