
A decisão da Record de exibir uma entrevista exclusiva com o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) justamente no horário do primeiro debate presidencial promovido pela Band neste domingo (23) provocou críticas no meio político e abriu uma discussão sobre a postura editorial da emissora durante a campanha eleitoral.
A entrevista foi gravada neste domingo e conduzida pela jornalista Mariana Godoy. A exibição começou às 20h30 no programa Domingo Espetacular, enquanto a Band já transmitia o encontro entre candidatos à Presidência, iniciado às 20h.
Lula decidiu não comparecer ao debate da Band. A ausência também influenciou a participação de outros presidenciáveis. Flávio Bolsonaro (PL) não foi ao encontro, enquanto Romeu Zema (Novo) também desistiu. O debate acabou reunindo Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
A coincidência de horários colocou a Record no centro da disputa política. Na prática, enquanto alguns candidatos eram submetidos ao confronto direto, perguntas de adversários e réplicas diante das câmeras da Band, Lula aparecia sozinho em uma entrevista previamente gravada.
A escolha provocou reação durante o próprio debate. Renan Santos criticou publicamente a Record pela decisão de transmitir a entrevista de Lula simultaneamente ao encontro dos presidenciáveis.
O episódio também alimenta questionamentos entre setores conservadores e religiosos sobre a linha adotada pela emissora, historicamente associada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Para esses críticos, a concessão de espaço exclusivo a Lula justamente no horário de um debate eleitoral pode ser interpretada como tratamento privilegiado. Essa avaliação, porém, é uma crítica política e editorial — não demonstra, por si só, apoio formal da Record à candidatura petista.
Por outro lado, a emissora tem promovido entrevistas e debates com candidatos de diferentes correntes políticas. Na disputa pelo governo de São Paulo, por exemplo, a Record realizou entrevistas com Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), além de já ter anunciado parceria com o Estadão para debates eleitorais, incluindo um encontro entre candidatos à Presidência marcado para setembro.
Na entrevista deste domingo, Lula abordou temas políticos e econômicos e também falou sobre as investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O presidente afirmou que o filho deverá apresentar sua defesa e negou qualquer tentativa de interferência nas investigações da Polícia Federal.
A estratégia permite a Lula ocupar uma importante faixa da televisão aberta sem enfrentar diretamente os adversários no mesmo momento. Para a Record, entretanto, a decisão deverá continuar sob escrutínio justamente porque, em período eleitoral, escolhas de programação envolvendo candidatos inevitavelmente passam a ser avaliadas também sob a ótica do equilíbrio e da isonomia.
Da redação Mídia News Campo Grande





