Ramagem cita três delegados da PF e os acusa de envolvimento em registro falso usado contra Filipe Martins
Deputado afirma que Fábio Shor, Marcelo Ivo de Carvalho e Adriano Camargo teriam participado do episódio; Justiça dos EUA reconheceu falsidade de registro migratório, mas nomes dos responsáveis ainda não foram oficialmente confirmados

O deputado federal Alexandre Ramagem acusou três delegados da Polícia Federal de suposto envolvimento no episódio relacionado ao registro migratório falso que indicava uma entrada de Filipe Martins nos Estados Unidos em dezembro de 2022. As declarações foram divulgadas nesta quinta-feira (27), enquanto o parlamentar está nos Estados Unidos.
Ramagem citou nominalmente os delegados Fábio Shor, Marcelo Ivo de Carvalho e Adriano Camargo. Segundo a acusação apresentada pelo deputado, os policiais teriam participado de procedimentos que resultaram na utilização do registro incorreto para sustentar a prisão preventiva do ex-assessor de Assuntos Internacionais do governo Jair Bolsonaro. Até o momento, porém, não há decisão judicial apresentada pelas fontes consultadas que atribua aos três delegados a autoria da inserção do dado falso.
O ponto já confirmado pelas autoridades norte-americanas é que Filipe Martins não entrou nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022, como indicava o registro utilizado no processo brasileiro. Em outubro de 2025, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) informou, após revisar as evidências disponíveis, que Martins não havia ingressado no país naquela data e que o registro impreciso permanecia sob investigação.
O caso avançou na Justiça norte-americana. O juiz federal Gregory A. Presnell, da Flórida, reconheceu que havia uma informação falsa nos registros migratórios e determinou providências para esclarecer como o dado foi inserido e quem participou do procedimento. A controvérsia surgiu em ação movida por Martins contra órgãos americanos com base na Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos, a FOIA.
A informação migratória havia sido utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao fundamentar a prisão preventiva de Martins em 2024, diante da avaliação de que existiria risco de fuga. O ex-assessor permaneceu preso preventivamente por quase seis meses.
Documentos relacionados ao processo americano indicam participação de representantes brasileiros e funcionários norte-americanos nas comunicações envolvendo o registro. Entretanto, os nomes das pessoas efetivamente responsáveis pela inserção da informação falsa ainda permanecem sob apuração, razão pela qual as declarações de Ramagem devem ser tratadas jornalisticamente como acusação, e não como fato comprovado.
Da redação Mídia News Campo Grande





