Moraes soube de relatório sigiloso da PF antes do envio à PGR e confrontou André Mendonça no STF
Ministro teria procurado o relator para pedir explicações sobre investigação envolvendo mensagens de Daniel Vorcaro; Mendonça questionou como colega tomou conhecimento de material que estava sob sigilo

Um novo episódio envolvendo a investigação sobre o Banco Master aumentou a tensão dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes tomou conhecimento de um relatório sigiloso da Polícia Federal que identificava seu nome em mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro antes de o material ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (1º), o documento chegou ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso, na noite de sexta-feira (28). Antes de Mendonça encaminhar os autos à PGR, Moraes teria procurado pessoalmente o colega para conversar sobre a investigação.
Relatos publicados pela imprensa apontam que Moraes afirmou saber da existência da apuração e pediu explicações. Mendonça teria respondido que o procedimento estava sob sigilo e questionado como o ministro havia tomado conhecimento do conteúdo antes da tramitação prevista.
O episódio levantou internamente questionamentos sobre a circulação das informações sigilosas. Até o momento, porém, não há comprovação pública sobre quem teria informado Moraes a respeito do relatório ou de que forma ele tomou conhecimento do documento.
Relatório identificou Moraes como interlocutor
O relatório foi produzido pela Polícia Federal após determinação de Mendonça para aprofundar a análise de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro.
Parte do trabalho buscava identificar o interlocutor do ex-banqueiro em conversas nas quais eram mencionados o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A análise identificou registros associados a um contato denominado “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O material reúne mensagens enviadas por Vorcaro nos dias que antecederam sua prisão, ocorrida em novembro de 2025.
Em uma delas, em 15 de novembro, Vorcaro perguntou se deveria deixar o Brasil na segunda-feira seguinte. No dia de sua prisão, 17 de novembro, voltou a procurar o interlocutor e perguntou se havia alguma novidade e se ele havia conseguido obter informações ou “bloquear” uma medida.
A PF registrou no relatório sua interpretação de que o conteúdo poderia indicar que Vorcaro tinha conhecimento antecipado sobre movimentações da Operação Compliance Zero. O material disponível, entretanto, não permite concluir automaticamente que os pedidos feitos pelo ex-banqueiro tenham sido atendidos.
Outro ponto relevante é que a extração realizada pela PF recuperou principalmente conteúdos enviados por Vorcaro. Segundo as reportagens sobre o documento, o método utilizado nas conversas — envolvendo imagens de visualização única com textos produzidos em aplicativo de notas — dificultou a recuperação de eventuais respostas de Moraes.
Mendonça retira sigilo
Nesta terça-feira, André Mendonça decidiu retirar o sigilo da petição que reúne os novos elementos produzidos pela Polícia Federal.
O ministro também abriu prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República e sinalizou que pretende encaminhar a discussão ao plenário do Supremo.
Mendonça defendeu que o material seja analisado pelos ministros do STF de maneira pública e em sessão presencial, diante da relevância institucional das informações reunidas pela investigação.
O caso também abriu uma discussão jurídica dentro da Corte sobre o procedimento adequado para uma eventual investigação envolvendo integrante do próprio Supremo. A cúpula da Polícia Federal demonstrou preocupação com a produção do relatório, enquanto Mendonça sustenta que caberá ao colegiado definir os próximos passos.
Com a retirada do sigilo, o conteúdo passa agora pelo escrutínio público e institucional, enquanto permanece sem esclarecimento uma questão central surgida no episódio: como Alexandre de Moraes soube da existência da apuração antes de o relatório seguir seu trâmite formal.
Da redação Mídia News Campo Grande





