
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram que o banqueiro procurou repetidamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto aumentava a pressão das investigações da Polícia Federal sobre a instituição financeira.
O material integra relatório da PF cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça. Os registros revelam que Vorcaro demonstrava preocupação com possíveis medidas judiciais e questionava Moraes sobre a possibilidade de impedir ou adiar ações contra ele e o banco.
Uma das mensagens mais contundentes foi enviada em 5 de novembro de 2025. Depois de demonstrar preocupação com o avanço das apurações, Vorcaro perguntou ao ministro: “Como estamos aí? Conseguiu bloquear a maldade e a sacanagem?”.
No dia anterior, o banqueiro já havia feito apelos semelhantes. Segundo o material analisado pela PF, Vorcaro pediu que Moraes verificasse se seria possível “bloquear” eventuais medidas e afirmou que uma ação considerada drástica poderia provocar consequências irreversíveis para o Master.
As mensagens também fazem referências a “Paulo” e “Andrei”. Para os investigadores, os nomes seriam referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em 30 de outubro de 2025, Vorcaro escreveu que seria importante reforçar com ambos para evitar que integrantes de escalões inferiores adotassem alguma medida contra o banco.
Pressão aumentou antes da prisão
A preocupação do banqueiro aumentou à medida que sua prisão se aproximava. Em 15 de novembro, dois dias antes de ser detido, Vorcaro voltou a questionar se seria possível reverter o avanço das investigações com a participação de Paulo Gonet ou Andrei Rodrigues.
No dia seguinte, perguntou novamente sobre a possibilidade de conter uma ação policial: “E com Andrei dá pra segurar?”.
Vorcaro chegou ainda a perguntar a Moraes se deveria deixar o Brasil diante do avanço da operação. Em 15 de novembro, questionou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, foi preso pela Polícia Federal quando se preparava para embarcar em um jato particular no Aeroporto Internacional de São Paulo.
Os documentos analisados pela PF indicam uma sequência de contatos entre Vorcaro e Moraes nos meses anteriores. Segundo reportagem da Folha, há referências a pelo menos seis encontros entre os dois, embora o relatório não confirme de forma independente que todas as reuniões mencionadas efetivamente tenham ocorrido.
Pedidos não significam atuação comprovada
Apesar do conteúdo das mensagens, o material divulgado até agora exige uma distinção importante: os registros demonstram que Vorcaro buscava ajuda e fazia pedidos ao ministro, mas não comprovam, por si só, que Moraes tenha atendido às solicitações ou interferido efetivamente nas investigações.
A própria documentação tem limitações. Segundo a PF, Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e as enviava pelo WhatsApp em modo de visualização única. Os investigadores recuperaram as anotações do banqueiro, mas nem todas as eventuais respostas atribuídas ao ministro ficaram preservadas.
As novas revelações ampliaram a repercussão institucional do caso. André Mendonça solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre mensagens nas quais Vorcaro menciona a necessidade de atuação envolvendo Gonet e Andrei Rodrigues. Até o momento, segundo as informações divulgadas, não há comprovação de que os dois tenham realizado as intervenções solicitadas pelo banqueiro.
O Conselho Federal da OAB também se manifestou após a divulgação do material e defendeu uma “apuração rigorosa” das revelações envolvendo Vorcaro e Moraes.
Da redação Mídia News Campo Grande





