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Mensagens indicam que Moraes teria aconselhado e informado Vorcaro antes da prisão

Relatório da Polícia Federal aponta troca de informações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro nos dias que antecederam a prisão do então dono do Banco Master

Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, levantaram novas suspeitas sobre a relação mantida por ele com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O material indica que Vorcaro buscava informações e orientações nos dias que antecederam sua prisão, ocorrida no âmbito das investigações envolvendo a instituição financeira.

O conteúdo integra relatório da PF cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça. A investigação conseguiu reconstruir parte das comunicações a partir de capturas de tela, arquivos temporários e registros de atividades armazenados no aparelho de Vorcaro.

Segundo a apuração, Vorcaro utilizava um método específico para se comunicar: escrevia textos no bloco de notas do celular, fazia uma captura da tela e encaminhava a imagem pelo WhatsApp no modo de visualização única. A PF afirma ter identificado um padrão de utilização que permitiu relacionar mensagens ao contato atribuído a Moraes.

Preocupação com medidas judiciais

Em 4 de novembro de 2025, uma das sequências recuperadas mostra Vorcaro preocupado com a possibilidade de alguma medida judicial atingir seus negócios. Pelas respostas preservadas no aparelho, o banqueiro aparentemente reagia a informações que havia acabado de receber.

Em determinado momento, Vorcaro questionou se haveria possibilidade de bloquear uma eventual decisão. Poucos minutos depois, demonstrou preocupação de que alguma medida pudesse comprometer negociações em andamento.

As mensagens também mostram o banqueiro perguntando se seria possível ganhar tempo para procurar Paulo Gonet, procurador-geral da República. Vorcaro ainda menciona Banco Central e Fundo Garantidor de Créditos (FGC), demonstrando preocupação com os efeitos de uma eventual operação sobre o Banco Master.

PF não recuperou todas as respostas

Um ponto importante é que o conteúdo disponível não reproduz integralmente os dois lados das conversas. De acordo com as reportagens baseadas no relatório policial, a PF recuperou principalmente os textos e prints produzidos por Vorcaro. As mensagens atribuídas a Moraes não foram preservadas da mesma maneira.

Por isso, parte do contexto é reconstruída pelos investigadores a partir das perguntas, respostas e reações do próprio banqueiro. A investigação considera que o padrão técnico encontrado no aparelho permite estabelecer a associação das comunicações, mas a interpretação sobre o conteúdo e suas eventuais consequências jurídicas ainda depende da análise das autoridades competentes.

Vorcaro chegou a perguntar se deveria sair do Brasil

Outro trecho considerado relevante pelos investigadores ocorreu poucos dias antes da prisão. Segundo o material divulgado, Vorcaro chegou a consultar o interlocutor atribuído a Moraes sobre a conveniência de deixar o Brasil.

A Polícia Federal investiga se o banqueiro recebeu antecipadamente informações relacionadas ao avanço das apurações. Vorcaro acabou preso quando se preparava para viajar ao exterior.

As revelações aumentam a pressão para que seja esclarecida a natureza da relação entre o ministro do Supremo e o ex-controlador do Banco Master. O relatório da PF também registra encontros e contatos entre ambos ao longo de 2024 e 2025.

Gabinete de Moraes já contestou associação de mensagens

A versão apresentada pelo gabinete de Alexandre de Moraes também precisa ser considerada. Em março, quando parte das conversas veio a público, o gabinete afirmou que determinados contatos identificados nos arquivos de Vorcaro não correspondiam aos números telefônicos do ministro.

Segundo a manifestação divulgada na ocasião, uma análise dos dados telemáticos teria mostrado que mensagens de visualização única estavam vinculadas a outros contatos existentes nos arquivos do banqueiro, e não a Moraes.

Com a divulgação de novos elementos técnicos da investigação, a controvérsia deverá agora ser examinada no âmbito do Supremo. O ponto central será determinar se houve efetivamente repasse de informações reservadas ou alguma atuação incompatível com as atribuições de um ministro do STF. Até que essa análise seja concluída, as conclusões apresentadas pela Polícia Federal devem ser tratadas como elementos de uma investigação, e não como responsabilidade definitivamente estabelecida.

Da redação Mídia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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