Escândalo no Banco Master: Vorcaro perguntou a Moraes se ‘com Andrei dá para segurar’ investigação da PF
Mensagens recuperadas pela Polícia Federal indicam que ex-dono do Banco Master buscou ajuda diante do avanço das investigações; relatório não traz as respostas atribuídas ao ministro do STF

O relatório da Polícia Federal produzido a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelou novas mensagens nas quais o banqueiro demonstra preocupação com o avanço das investigações e questiona o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a possibilidade de conter ou adiar medidas da PF.
O material veio a público nesta terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da investigação. As informações fazem parte da apuração relacionada à Operação Compliance Zero e ampliaram a repercussão política e institucional do caso Master.
Uma das mensagens consideradas mais relevantes pela investigação teria sido enviada em 16 de novembro de 2025, menos de 24 horas antes da primeira prisão de Vorcaro. O banqueiro questionou Moraes: “E com Andrei dá pra segurar?”, numa referência que a PF atribui ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Vorcaro queria adiar eventual operação
Em outra mensagem recuperada, Vorcaro pediu que Moraes tentasse sensibilizar Andrei Rodrigues para que uma eventual ação policial fosse adiada para a semana seguinte. O argumento apresentado pelo banqueiro era de que o adiamento poderia evitar a quebra do banco.
As mensagens mostram ainda que a preocupação de Vorcaro com a PF vinha de semanas anteriores. Em 30 de outubro de 2025, ele teria pedido que Moraes reforçasse contatos com “Andrei e Paulo”, referências que os investigadores associam a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Já em 15 de novembro, Vorcaro perguntou se seria possível “reverter” a situação com Paulo e Andrei e demonstrou preocupação com medidas que poderiam atingir o Master.
PF recuperou ao menos 28 mensagens
Segundo a investigação, Vorcaro enviou pelo menos 28 mensagens para um número atribuído a Alexandre de Moraes entre os dias 12 e 17 de novembro de 2025. Nesse período, também teria solicitado encontros com o ministro e buscado informações sobre uma possível operação policial.
A forma utilizada para as comunicações é um ponto importante da investigação. De acordo com a PF, Vorcaro escrevia determinados textos no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e encaminhava as imagens pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
A perícia conseguiu recuperar registros deixados no aparelho do banqueiro e, pelo cruzamento de metadados, relacionou parte dessas mensagens a um contato identificado como “Alexandre de Moraes, Brasília”.
Respostas de Moraes não aparecem no relatório
O relatório, entretanto, apresenta uma limitação relevante: as respostas atribuídas a Alexandre de Moraes não foram recuperadas.
A perícia foi realizada no celular de Vorcaro, e não no aparelho do ministro. Por isso, embora os investigadores tenham localizado textos, capturas e registros relacionados aos envios feitos pelo banqueiro, o documento não permite reconstruir integralmente o diálogo entre os dois.
Essa circunstância impede concluir, apenas com as mensagens divulgadas, se os pedidos de Vorcaro foram atendidos por Moraes ou se houve efetiva intervenção junto à Polícia Federal.
Também não há, até o momento, indicação de que Andrei Rodrigues ou Paulo Gonet tenham realizado as intervenções pretendidas pelo banqueiro.
Caso será analisado pelo Supremo
André Mendonça determinou o levantamento do sigilo e entendeu que os novos elementos reunidos pela Polícia Federal precisam ser submetidos à análise do plenário do STF.
Segundo a investigação, há suspeita da existência de uma estrutura de obtenção de informações sigilosas e influência destinada a interferir ou dificultar procedimentos policiais e fiscalizatórios potencialmente prejudiciais aos interesses do grupo ligado a Vorcaro.
As revelações também provocaram reação da Procuradoria-Geral da República. Paulo Gonet pediu a anulação do relatório da PF e contestou a forma como a apuração envolvendo Moraes foi conduzida.
O conteúdo das mensagens passa agora a integrar um dos capítulos mais sensíveis da investigação do Banco Master. Caberá ao Supremo avaliar a validade jurídica do material, o alcance das diligências realizadas e se existem elementos suficientes para novas medidas investigativas.
Da redação Mídia News Campo Grande





