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Por que a Havan lucra bilhões enquanto outros varejistas enfrentam dificuldades?

Rede de Luciano Hang aposta em escala, baixo endividamento, crédito próprio, logística centralizada e força da marca para crescer em um dos setores mais competitivos da economia

Enquanto parte do varejo brasileiro enfrenta margens apertadas, juros elevados, recuperação judicial e até fechamento de lojas, a Havan mantém uma estratégia de expansão apoiada em escala, geração de caixa e forte presença de marca. A companhia fundada por Luciano Hang tornou-se uma das maiores redes de lojas de departamentos do país e alcançou faturamento bruto na casa dos bilhões de reais.

Dados divulgados pela empresa referentes a 2025 apontam faturamento bruto próximo de R$ 18,5 bilhões e receita líquida de aproximadamente R$ 13,7 bilhões. Os números ajudam a dimensionar o tamanho de uma operação que chegou a centenas de milhares de produtos comercializados e aproximadamente 200 megalojas.

Menos dívida faz diferença

Um dos fatores que ajudam a explicar o desempenho é a estrutura financeira. Em um cenário de juros elevados, empresas muito endividadas precisam destinar parcela relevante do resultado ao pagamento de despesas financeiras.

A Havan informou em suas demonstrações financeiras referentes a 2025 que quitou operações bancárias, permanecendo uma operação de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) com vencimento em 2027.

Essa condição permite que uma parcela maior dos recursos gerados pela operação seja direcionada para estoque, abertura de unidades, logística, tecnologia e outras áreas do próprio negócio.

Megalojas ajudam a ganhar escala

Outro diferencial está no modelo das unidades. Em vez de pequenas lojas especializadas, a Havan trabalha com grandes estabelecimentos e uma extensa variedade de produtos.

O consumidor encontra artigos para casa, eletroeletrônicos, roupas, brinquedos, ferramentas e diversos outros segmentos no mesmo espaço. A estratégia aumenta as possibilidades de compra por cliente e ajuda a diluir custos fixos sobre um volume maior de vendas.

As megalojas também foram transformadas em parte da identidade da companhia. Fachadas inspiradas na Casa Branca, réplicas da Estátua da Liberdade, estacionamentos amplos e áreas de alimentação fazem com que determinadas unidades funcionem também como pontos de passeio e referência nas cidades onde estão instaladas.

Crédito próprio estimula consumo

O Cartão Havan é outra peça importante do modelo. A empresa mantém relacionamento direto com milhões de consumidores e oferece parcelamento das compras, fortalecendo a recorrência e reduzindo a dependência exclusiva das bandeiras tradicionais de cartões.

O crédito, entretanto, exige controle rigoroso de inadimplência. Quando administrado adequadamente, pode funcionar tanto como instrumento de fidelização quanto de aumento do volume de vendas.

Logística é peça-chave

Para colocar milhares de produtos em lojas espalhadas pelo Brasil, a Havan também investiu pesadamente em logística. Seu centro de distribuição em Barra Velha, Santa Catarina, possui aproximadamente 180 mil metros quadrados.

A escala permite centralizar compras, negociar grandes volumes com fornecedores e distribuir mercadorias para as unidades da rede. As próprias lojas também passaram a desempenhar papel importante na integração entre as vendas físicas e digitais.

Luciano Hang transformou imagem pessoal em marca

Outro elemento difícil de reproduzir pelos concorrentes é a associação entre Luciano Hang e a própria Havan.

Conhecido nacionalmente como “Véio da Havan”, o empresário tornou-se protagonista das campanhas publicitárias da companhia. Independentemente das posições políticas defendidas por Hang, sua exposição pública gera reconhecimento espontâneo para a empresa e tornou sua imagem praticamente inseparável da marca.

Isso significa que entrevistas, vídeos e aparições públicas do empresário acabam também ampliando a exposição da Havan.

Mas faturamento não é a mesma coisa que lucro

É importante diferenciar os dois conceitos. Faturamento representa quanto uma empresa vende antes da dedução de diversos custos, despesas, impostos e outras obrigações. Lucro corresponde ao valor efetivamente restante após essas deduções.

Portanto, dizer simplesmente que a Havan “lucra R$ 18 bilhões” seria incorreto. O valor nessa ordem de grandeza corresponde ao faturamento bruto divulgado para 2025, não ao lucro líquido.

O caso da empresa, porém, demonstra como escala, controle financeiro, logística, crédito, diversificação de produtos e reconhecimento de marca podem criar uma vantagem competitiva significativa.

No varejo, vender muito é apenas uma parte da equação. Comprar bem, controlar despesas, administrar estoques, preservar caixa e evitar que os juros consumam o resultado pode ser justamente a diferença entre continuar crescendo e entrar em dificuldades.

Da redação Midia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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