Nikolas Ferreira diz que, com Flávio Bolsonaro eleito, não haverá acordo com Alexandre de Moraes: “Sem anistia”
Deputado federal reeleito por Minas Gerais afirma que atuação do ministro do STF nos processos do 8 de janeiro é “imperdoável” e defende impeachment e prisão, mesmo diante de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou, nesta quarta-feira (7), que não haverá qualquer acordo político com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro.
Em entrevista ao Metrópoles, o parlamentar reeleito por Minas Gerais fez duras críticas à atuação de Moraes nos processos relacionados aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e defendeu que o magistrado seja responsabilizado pelas decisões que considera abusivas.
“O que o Alexandre de Moraes fez é imperdoável, é imperdoável. E não adianta agora se pintar de ouro, acenar para ninguém”, declarou Nikolas, rejeitando qualquer possibilidade de aproximação entre o ministro e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Sem anistia” para Alexandre de Moraes
Durante a entrevista, Nikolas afirmou acreditar que Moraes poderá tentar uma reaproximação com setores conservadores diante de uma eventual mudança no comando do Palácio do Planalto.
Em tom irônico, o deputado sugeriu que o ministro poderia adotar símbolos associados ao bolsonarismo para evitar uma possível responsabilização.
“Ô, Alexandre de Moraes, sem anistia, sem anistia”, afirmou.
Nikolas também defendeu medidas mais severas contra o magistrado, incluindo a abertura de um processo de impeachment no Senado Federal e eventual responsabilização criminal.
“Para mim o caminho é simples: impeachment e cadeia”, declarou.
As manifestações representam o posicionamento político do deputado e não constituem uma decisão institucional do PL ou um compromisso formal assumido por Flávio Bolsonaro.
Prisões do 8 de janeiro voltam ao centro das críticas
O parlamentar voltou a questionar as penas e as condições de prisão de pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília.
Nikolas mencionou o caso de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, que morreu enquanto estava preso, e afirmou que famílias de investigados e condenados sofreram consequências que considera desproporcionais.
O deputado também acusou Moraes de violações de direitos humanos e comparou as condições de detenção de parte dos envolvidos a um “campo de concentração”.
Essas declarações são acusações do parlamentar e não representam conclusões judiciais sobre eventual responsabilidade criminal do ministro.
Disputa pelo Senado pode definir próximos passos
Além das críticas ao STF, Nikolas defendeu que o Partido Liberal concentre esforços na conquista da presidência do Senado Federal na próxima legislatura.
A estratégia está relacionada à possibilidade de avançar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo, uma vez que cabe ao Senado processar e julgar ministros da Corte por crimes de responsabilidade, observadas as exigências constitucionais e legais.
A eventual eleição de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, por si só, não permitiria determinar o afastamento ou a prisão de um ministro do STF.
Declarações aumentam tensão política no segundo turno
As manifestações de Nikolas ocorrem em meio à disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A posição do deputado reforça a pressão de setores do bolsonarismo por mudanças na relação entre o Executivo, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
Ao descartar qualquer entendimento com Moraes, Nikolas sinaliza que, independentemente do resultado das eleições, pretende manter a cobrança por responsabilização do ministro como uma das principais bandeiras de sua atuação parlamentar.
O posicionamento também evidencia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro não significaria necessariamente uma redução das tensões institucionais envolvendo o STF e representantes da direita no Congresso Nacional.
Da redação Mídia News Campo Grande





