
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a interlocutores que já conta com apoio suficiente para garantir sua reeleição ao comando da Casa em 2027. Segundo as articulações políticas, o senador calcula ter pelo menos 48 votos, número superior aos 42 necessários para conquistar a presidência do Senado, composto por 81 parlamentares.
Além de demonstrar confiança na continuidade de seu mandato à frente do Legislativo, Alcolumbre sinalizou que não pretende colocar em votação pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes.
A posição representa um obstáculo às pretensões de parlamentares da oposição que defendem o afastamento do magistrado e pretendem ampliar a pressão sobre o Supremo na próxima legislatura.
PL terá maior bancada, mas enfrenta resistência do Centrão
Mesmo com o crescimento do Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026, Alcolumbre acredita que conseguirá derrotar qualquer adversário apresentado pela legenda.
O PL deverá iniciar a próxima legislatura com aproximadamente 29 senadores, consolidando-se como a maior bancada individual da Casa. Entretanto, o número não garante, isoladamente, a eleição de seu candidato à presidência.
Entre os nomes considerados para a disputa está o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno realizado no domingo (25).
A avaliação de Alcolumbre é de que partidos do Centrão poderão formar uma aliança para impedir que o PL concentre o comando político do Senado.
Impeachment de Moraes não deverá avançar
A decisão de não pautar pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes deverá provocar novos embates entre a presidência do Senado e parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A oposição considera o afastamento de ministros do Supremo uma de suas principais bandeiras políticas e aposta no fortalecimento de sua representação no Senado para ampliar a pressão institucional.
Entretanto, a abertura de processos dessa natureza depende de procedimentos regimentais e legais que passam pela presidência da Casa.
A resistência de Alcolumbre indica que, caso seja reconduzido ao cargo, os pedidos contra Moraes poderão continuar sem andamento, independentemente da pressão exercida pelos parlamentares oposicionistas.
Rodrigo Pacheco também entra nas articulações
Outro ponto das negociações envolve o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, atualmente no Tribunal de Contas da União (TCU).
Alcolumbre pretende defender sua indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal ainda em 2026, movimento que poderá ampliar as negociações políticas com o governo Lula.
Nos bastidores de Brasília, a articulação é relacionada ao apoio do presidente do Senado à tramitação da proposta que trata do fim da escala de trabalho 6×1, uma das bandeiras defendidas pelo governo federal.
Disputa pelo comando do Congresso ganha força
A movimentação política ocorre um dia depois da vitória de Lula na eleição presidencial e antecipa a disputa pelo controle das duas Casas do Congresso Nacional.
Na Câmara dos Deputados, partidos do Centrão também articulam a continuidade de Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência.
No Senado, a eventual recondução de Alcolumbre poderá representar a manutenção de uma composição política capaz de negociar com o governo federal e, ao mesmo tempo, limitar o avanço de propostas defendidas pela oposição.
Embora Alcolumbre afirme possuir votos suficientes, os apoios ainda precisarão ser confirmados na eleição interna da Casa, prevista para fevereiro de 2027.
Da redação Mídia News Campo Grande





