Advogada é apontada como possível intermediária em esquema de venda de sentenças no STJ
Sindicância interna do Superior Tribunal de Justiça cita Caroline Azeredo em relatório que apurou suposta comercialização de decisões judiciais; advogada nega irregularidades e afirma ser alvo de retaliação.

Uma sindicância interna do Superior Tribunal de Justiça (STJ) apontou a advogada Caroline Azeredo como possível intermediária em um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais na Corte. A informação consta em relatório produzido durante um procedimento administrativo que resultou na exoneração do servidor Márcio Toledo, então assessor do gabinete da ministra Nancy Andrighi.
De acordo com o relatório, três depoimentos foram utilizados para sustentar a suspeita de que a advogada teria atuado como elo entre interesses externos e o servidor investigado. Entre os depoentes estão o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Wellington Luiz (MDB), sua esposa, Kilze Montes, e o advogado Rodrigo Alencastro, ex-companheiro de Caroline Azeredo.
Apesar das conclusões da sindicância, Caroline Azeredo não figura oficialmente como investigada no procedimento administrativo conduzido pelo STJ. A apuração teve como foco a conduta funcional do ex-assessor Márcio Toledo, culminando em sua exoneração.
Em manifestação ao jornal O Estado de S. Paulo, reproduzida por diversos veículos, a advogada negou qualquer participação em irregularidades. Segundo ela, as acusações surgiram após denúncia apresentada por seu ex-companheiro à Polícia Civil do Distrito Federal, que classificou como uma retaliação de natureza pessoal.
Caroline Azeredo também afirmou que um procedimento instaurado contra ela no Tribunal de Ética e Disciplina da OAB do Distrito Federal foi arquivado por ausência de provas. Segundo sua defesa, sua atuação profissional sempre ocorreu dentro dos princípios éticos e técnicos da advocacia.
O caso integra um conjunto mais amplo de investigações sobre um suposto esquema de venda de influência e comercialização de decisões judiciais no STJ. Nos últimos anos, diferentes procedimentos administrativos e investigações criminais vêm apurando a atuação de servidores, advogados e intermediários suspeitos de explorar indevidamente o acesso à Corte. Até o momento, entretanto, não houve condenação judicial definitiva envolvendo Caroline Azeredo relacionada aos fatos mencionados na sindicância.
Da redação Mídia News





