
A Coca-Cola voltou ao centro de uma controvérsia após usuários identificarem comportamentos inconsistentes no sistema de personalização de embalagens da campanha “Share a Coke”. Testes realizados na ferramenta mostraram que determinadas mensagens de caráter cristão eram rejeitadas pelo filtro automático, enquanto outras expressões religiosas, antirreligiosas ou consideradas controversas conseguiam passar pela etapa de pré-visualização.
Entre os exemplos divulgados está a rejeição da frase “Jesus is Lord” (“Jesus é Senhor”). Segundo testes publicados pela imprensa norte-americana, expressões como “Allah is Lord” também foram bloqueadas, enquanto mensagens como “God is Dead” (“Deus está morto”), “Atheist Pride” (“Orgulho ateu”), “Shalom” e “Buddha Bless” chegaram a ser aceitas pelo sistema.
Vídeos divulgados nas redes sociais também mostraram usuários conseguindo gerar prévias com referências a Satanás e Bafomé. Esses registros alimentaram acusações de tratamento desigual contra mensagens cristãs. No entanto, a possibilidade de gerar uma imagem na ferramenta não significava necessariamente que a lata seria efetivamente produzida e enviada ao consumidor.
As próprias regras apresentadas pelo sistema informavam que nomes e frases poderiam ser rejeitados caso fossem de natureza religiosa ou política, além de conteúdos considerados impróprios. A investigação também encontrou inconsistências fora do campo religioso, indicando falhas mais amplas na aplicação automática das regras.
Coca-Cola reconhece problema técnico
Diante da repercussão, a Coca-Cola informou estar ciente de um “problema técnico” envolvendo a ferramenta de pré-visualização e anunciou a desativação temporária do recurso, além da suspensão de novos pedidos personalizados enquanto realizava correções.
A companhia afirmou ainda que todos os pedidos passam por uma etapa adicional de moderação antes da produção. Segundo a empresa, existem mecanismos destinados justamente a impedir a aprovação de embalagens contendo mensagens religiosas, políticas, marcas registradas ou conteúdos considerados inadequados.
Portanto, é correto afirmar que foram encontradas inconsistências reais no filtro da ferramenta, inclusive com frases cristãs bloqueadas enquanto outras referências controversas apareciam na prévia. Não está demonstrado, porém, que exista uma política oficial da Coca-Cola destinada especificamente a censurar o cristianismo ou favorecer mensagens ligadas a Satanás ou Bafomé. Caso semelhante já havia sido analisado em 2024, quando testes apontaram comportamento irregular do sistema e restrições que atingiam diferentes referências religiosas.
Da redação Mídia News


