Com Alcolumbre no comando do Senado, Moraes tem permanência garantida no STF? Ives Gandra afirma que sim
Jurista avalia que a continuidade de Alexandre de Moraes no Supremo depende mais da presidência do Senado do que do resultado da eleição presidencial; eventual impeachment exige decisão política e cumprimento de procedimentos legais.

A permanência do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) voltou ao centro do debate político após uma avaliação do jurista Ives Gandra da Silva Martins. Segundo ele, o fator decisivo para a continuidade do magistrado na Corte não seria a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a manutenção de Davi Alcolumbre na presidência do Senado Federal.
A interpretação está relacionada ao papel institucional do Senado, responsável por processar e julgar ministros do Supremo em casos de crimes de responsabilidade, conforme estabelece a Constituição Federal.
Na avaliação atribuída a Ives Gandra, o comando da Casa tem influência determinante sobre o andamento de pedidos de impeachment contra integrantes do STF. Isso significa que uma mudança na Presidência da República, isoladamente, não seria suficiente para provocar o afastamento de um ministro.
O papel de Alcolumbre na permanência de Moraes
A presidência do Senado ocupa posição central na tramitação dos pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
O presidente da Casa exerce funções administrativas e regimentais que influenciam o encaminhamento dessas solicitações. Entretanto, a eventual destituição de um ministro não depende exclusivamente de sua vontade.
A Constituição determina que cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Para uma condenação, é necessária a aprovação de dois terços dos senadores, o equivalente a 54 dos 81 integrantes da Casa.
Portanto, a avaliação de Ives Gandra deve ser entendida como uma interpretação do cenário político, e não como uma garantia jurídica de permanência de Alexandre de Moraes no cargo.
Eleição de fevereiro pode mudar o cenário político
A escolha do presidente do Senado, prevista para 1º de fevereiro de 2027, é considerada por Ives Gandra um momento decisivo para o futuro dos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.
O jurista sustenta que, caso Alcolumbre permaneça no comando, não deverá haver avanço dessas iniciativas durante os dois anos seguintes.
Por outro lado, a eleição de um senador de perfil conservador poderia modificar o cenário. Entre os nomes ligados à oposição está Rogério Marinho (PL-RN), apontado como alternativa na disputa pela presidência da Casa.
Mesmo nesse cenário, a abertura de um processo não significaria automaticamente a destituição do ministro. Seria necessário cumprir as etapas legais e reunir apoio suficiente entre os parlamentares.
Bancada do PL não garante abertura de processo
Ives Gandra também destacou que a presença de uma bancada expressiva do Partido Liberal no Senado não assegura, por si só, o andamento dos pedidos contra Moraes.
Segundo sua avaliação, a definição das prioridades legislativas e o encaminhamento das solicitações dependem diretamente da condução política da presidência da Casa.
A discussão evidencia a importância da eleição interna do Senado para a relação entre os Poderes Legislativo e Judiciário.
Permanência no Supremo não depende diretamente de Lula
Embora o presidente da República seja responsável por indicar ministros ao Supremo Tribunal Federal quando surgem vagas, ele não possui competência para determinar unilateralmente a destituição de integrantes da Corte.
Por isso, a reeleição de Lula não representa, juridicamente, uma garantia de permanência para Alexandre de Moraes.
A análise de Ives Gandra aponta que a composição política do Senado e a escolha de seu próximo presidente poderão influenciar o encaminhamento das iniciativas contra o ministro.
A decisão final, entretanto, dependeria dos procedimentos constitucionais, da análise das acusações e dos votos dos senadores.
Assim, a afirmação de que Moraes estaria garantido no STF com Alcolumbre deve ser compreendida como uma avaliação política do jurista, e não como uma situação juridicamente assegurada.
Da redação Mídia News Campo Grande





