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Cubanos transformam Brasil em novo destino migratório e pedidos de refúgio disparam em 2026

Mais de 90 mil solicitações estariam em processamento; dados oficiais mostram que cubanos já lideram os pedidos no país e 24 mil requerimentos foram registrados até julho deste ano

O Brasil se consolidou como um dos principais destinos da nova onda migratória de cidadãos cubanos. O movimento ganhou força a partir de 2025 e continua acelerado em 2026, impulsionado pela crise econômica e social enfrentada pela ilha e pelas mudanças nas rotas tradicionais utilizadas por quem deixa Cuba.

Reportagem publicada pelo jornal espanhol El País aponta que autoridades brasileiras estão processando mais de 90 mil solicitações de refúgio apresentadas por cubanos, das quais cerca de 35 mil teriam sido protocoladas nos primeiros sete meses de 2026.

Os números oficiais disponíveis no Brasil também confirmam a forte expansão, embora haja diferença metodológica em relação ao total mencionado pela reportagem. Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, registram as solicitações de reconhecimento da condição de refugiado por meio do Sisconare.

Levantamento divulgado com dados até julho aponta que, em todo o Brasil, foram contabilizadas 40.961 solicitações de refúgio em 2026, sendo 24.008 apresentadas por cidadãos cubanos. O número coloca Cuba muito à frente da Venezuela, responsável por 6.880 pedidos no mesmo período.

A tendência já vinha sendo observada no ano anterior. Em 2025, 41.919 cubanos solicitaram refúgio no Brasil, correspondendo a aproximadamente 55,4% das 75.599 solicitações recebidas de todas as nacionalidades. Na comparação com 2024, o número de pedidos feitos por cubanos cresceu 88,1%.

Roraima vira porta de entrada

Uma das principais rotas começa em Havana, passa por Georgetown, na Guiana, e segue por terra em direção à fronteira brasileira. Roraima tornou-se, assim, uma das principais portas de entrada desse fluxo migratório.

O próprio Acnur, agência da ONU para refugiados, já havia chamado atenção para o fenômeno. Em maio, a entidade informou que Cuba havia se tornado a nacionalidade com a maior demanda de solicitações de refúgio no Brasil, com mais de 64 mil pedidos acumulados nos dois anos anteriores. As entradas ocorrem especialmente por Roraima, através de Bonfim, na fronteira com a Guiana, além de registros pelo Amapá.

Depois de entrar no país, entretanto, boa parte dos migrantes segue para outras regiões. Cidades do Sul, principalmente Curitiba e Florianópolis, aparecem entre os destinos procurados em razão das oportunidades de emprego e da existência de redes familiares e comunitárias já estabelecidas.

Outro fator importante é a possibilidade de regularização enquanto o processo é analisado. Depois de formalizar a solicitação, o migrante recebe documentação provisória que permite trabalhar legalmente e acessar serviços públicos, como saúde e educação.

Ao contrário dos venezuelanos atendidos por mecanismos específicos associados à Operação Acolhida, os pedidos dos cubanos seguem, em regra, o procedimento convencional de análise do sistema brasileiro de refúgio.

Os dados mostram uma mudança expressiva no mapa migratório regional: Cuba passou a ocupar posição de destaque entre as nacionalidades que mais procuram proteção e regularização no Brasil, transformando o país em uma alternativa cada vez mais relevante para quem deixa a ilha.

Da redação Mídia News Campo Grande

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