
Os empresários Joesley e Wesley Batista querem acelerar a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para concluir a aquisição da Avibras Aeroco, uma das principais fabricantes brasileiras de sistemas de defesa, foguetes e mísseis. Os compradores solicitaram que a operação seja examinada pelo chamado rito sumário, procedimento mais rápido aplicado a transações consideradas de menor complexidade concorrencial.
Embora os irmãos Batista controlem a J&F, a operação está sendo estruturada por meio da Globe Investimentos, veículo de investimentos da família. O negócio prevê a aquisição da totalidade da Nova AVB S.A., controladora da Avibras Aeroco. A transferência definitiva do controle ainda depende da aprovação do Cade e de outras condições previstas na transação. O valor da aquisição não foi divulgado.
Por que os Batista querem o rito sumário?
A principal justificativa apresentada ao órgão antitruste é que a aquisição não provocaria problemas relevantes para a concorrência. Os representantes das empresas sustentam que não existe sobreposição horizontal nem integração vertical significativa entre as atividades dos compradores e as operações da Avibras. Também afirmam que empresas ligadas à família Batista não possuem participação igual ou superior a 10% nos mercados brasileiros de defesa e aeroespacial envolvidos na transação.
Com esses argumentos, os empresários tentam enquadrar a aquisição como uma operação relativamente simples do ponto de vista concorrencial, permitindo uma avaliação mais célere pelo Cade.
A rapidez também interessa à recuperação operacional da Avibras. A fabricante entrou em recuperação judicial em 2022, acumulou aproximadamente R$ 600 milhões em dívidas e passou por um longo período de paralisação. Uma greve dos trabalhadores chegou a durar 1.280 dias e terminou em março de 2026, depois de um acordo relacionado ao pagamento de cerca de R$ 230 milhões em débitos trabalhistas.
A retomada da companhia recebeu aproximadamente R$ 300 milhões de investidores privados, entre eles Joesley Batista. A fábrica voltou às atividades em 2026, abrindo caminho para uma nova etapa de reestruturação industrial.
Tecnologia estratégica
O interesse dos Batista envolve ativos considerados estratégicos para a indústria nacional. O portfólio da Avibras inclui o sistema de artilharia ASTROS, além de foguetes, mísseis, veículos especiais, propulsores e tecnologias destinadas aos setores militar e espacial.
A aquisição, portanto, representa a entrada dos empresários em um mercado bastante diferente de suas atividades tradicionais e coloca a família Batista diretamente em um segmento ligado à capacidade brasileira de defesa e à tecnologia aeroespacial.
Segundo as informações apresentadas ao Cade, a intenção é recuperar e desenvolver as atividades da Avibras no Brasil. A aprovação rápida da operação permitiria aos novos controladores avançar na reorganização da empresa, ampliar sua capacidade produtiva e buscar novamente espaço nos mercados brasileiro e internacional.
Da redação Mídia News Campo Grande

