María Corina afirma que repressão chavista continua ativa na Venezuela e prevê eleições em 2027
Em primeira coletiva após retornar a Caracas, líder da oposição questiona reformas prometidas por Delcy Rodríguez, exige libertação de presos políticos e defende transição democrática

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (29) que a estrutura de repressão construída durante os governos chavistas continua funcionando na Venezuela, apesar das mudanças políticas anunciadas após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro de 2026. A declaração ocorreu durante sua primeira entrevista coletiva desde o retorno ao país, realizada na Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas.
Segundo María Corina, integrantes do antigo governo permanecem em posições estratégicas e ainda possuem capacidade de perseguir adversários políticos. A dirigente reconheceu avanços recentes, mas afirmou que a transformação democrática depende de mudanças profundas nas instituições.
A manifestação ocorreu poucas horas depois de a presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciar reformas no sistema judicial, garantias contra prisões arbitrárias e a realização de novas eleições.
Opositora questiona promessas de Delcy Rodríguez
María Corina colocou em dúvida a capacidade da atual presidente interina de conduzir as reformas prometidas, lembrando que Delcy ocupou cargos importantes durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
Para a líder oposicionista, a reconstrução das instituições exige medidas concretas, especialmente a libertação dos presos políticos, a garantia das liberdades individuais e a responsabilização de agentes envolvidos em violações dos direitos humanos.
A dirigente também defendeu a renovação do Tribunal Supremo de Justiça e a criação de mecanismos independentes de investigação dos abusos cometidos durante os governos anteriores.
Segundo ela, uma futura administração democrática deverá estabelecer uma comissão da verdade, composta por especialistas independentes, para investigar denúncias de perseguição política, tortura e outras violações.
Eleições presidenciais poderão ocorrer em 2027
Um dos principais pontos da entrevista foi a possibilidade de realização de eleições presidenciais em 2027.
María Corina afirmou acreditar que o país poderá realizar uma nova votação no próximo ano, conforme a proposta de transição política apresentada pelos Estados Unidos.
O plano defendido pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, contempla três etapas: estabilização política, recuperação econômica e transição democrática.
Delcy Rodríguez também anunciou a realização de eleições organizadas por um Conselho Nacional Eleitoral renovado, com acompanhamento internacional. Entretanto, não estabeleceu uma data oficial para o pleito.
Dessa forma, a realização da eleição presidencial em 2027 permanece como uma perspectiva defendida pela oposição, e não como um calendário eleitoral oficialmente confirmado.
Libertação de presos políticos é prioridade
A situação dos presos políticos foi outro tema central da entrevista.
María Corina defendeu a libertação das pessoas detidas por motivos políticos e a revisão das estruturas de segurança responsáveis por ações de repressão.
A opositora também destacou a necessidade de garantir condições para que venezuelanos residentes no exterior possam participar das próximas eleições.
Milhões de cidadãos deixaram a Venezuela ao longo dos últimos anos, em meio à crise econômica, política e social enfrentada pelo país.
Para a dirigente, a participação desses eleitores será fundamental para assegurar representatividade ao processo eleitoral.
María Corina não participa das negociações com o governo interino
Durante a coletiva, María Corina afirmou que não recebeu convites de Delcy Rodríguez ou do governo norte-americano para participar diretamente das negociações políticas em andamento.
Seu movimento não integra a mesa de conversações entre representantes do governo interino e integrantes da oposição vinculados à Assembleia Nacional eleita em 2015.
Apesar disso, a dirigente declarou que não pretende impedir o andamento das negociações e espera que elas produzam resultados concretos para a democratização do país.
Retorno à Venezuela marca nova fase da oposição
María Corina retornou à Venezuela no domingo (25), depois de aproximadamente dez meses fora do território nacional.
Sua chegada foi acompanhada por manifestações de apoiadores que reivindicaram eleições e garantias de liberdade política.
Durante a entrevista, a opositora agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao secretário Marco Rubio pela operação militar realizada em 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Na avaliação da dirigente, a operação abriu caminho para mudanças políticas e para o avanço das negociações sobre o futuro da Venezuela.
María Corina anunciou que pretende percorrer diferentes regiões do país nas próximas semanas para reorganizar os movimentos de oposição e mobilizar a população.
O cenário venezuelano permanece marcado por disputas sobre a condução da transição, a reforma das instituições e as garantias necessárias para uma eleição competitiva.
Enquanto Delcy Rodríguez promete mudanças institucionais e uma nova votação, María Corina sustenta que a democratização somente estará consolidada quando houver garantias efetivas de liberdade política, justiça e participação eleitoral.
Da redação Mídia News Campo Grande





