Mediadores pressionam Irã por reabertura do Estreito de Ormuz; EUA defendem livre navegação
Qatar e Paquistão intensificam articulações diplomáticas enquanto Teerã prepara condições para normalizar o tráfego marítimo em uma das principais rotas de petróleo e gás do mundo

Os esforços diplomáticos para reduzir as tensões na guerra envolvendo o Irã passaram a se concentrar na reabertura do Estreito de Ormuz, passagem estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e que, antes do conflito, concentrava aproximadamente um quinto dos embarques mundiais de petróleo e gás natural liquefeito.
Mediadores, especialmente Qatar e Paquistão, intensificaram as negociações com Teerã para tentar restabelecer a circulação comercial. O primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, esteve em Teerã e ressaltou às autoridades iranianas a importância do respeito à liberdade de navegação e da retomada do tráfego marítimo.
O Irã, por sua vez, concordou em elaborar uma lista de condições para permitir a normalização da passagem de navios. Segundo Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, uma das exigências é o encerramento da guerra regional. Teerã também vem vinculando a abertura completa do estreito ao fim do bloqueio americano aos portos iranianos, à retirada de sanções e a outras concessões de Washington.
Irã e Omã discutem corredor marítimo
Paralelamente, Irã e Omã negociam um corredor temporário de navegação pelo Estreito de Ormuz. A proposta prevê uma rota que utilize trechos das águas territoriais dos dois países, permitindo a retomada gradual do transporte comercial.
O entendimento, porém, ainda não significa a abertura plena da passagem. As autoridades iranianas condicionam sua implementação ao atendimento de reivindicações apresentadas aos Estados Unidos.
Washington mantém posição diferente. Os Estados Unidos defendem que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação comercial internacional, sem cobrança de pedágios iranianos ou necessidade de autorização de Teerã para a passagem dos navios. Autoridades americanas têm tratado a liberdade de navegação pela região como uma das principais prioridades estratégicas nesta fase do conflito.
A disputa sobre o controle da passagem marítima tornou-se um dos principais obstáculos para um acordo mais amplo entre Washington e Teerã. O fechamento ou funcionamento limitado do estreito afeta diretamente o abastecimento internacional de energia e pressiona os mercados de petróleo, gás e derivados.
Com as negociações diretas entre Estados Unidos e Irã praticamente paralisadas, os mediadores tentam transformar um eventual acordo sobre Ormuz em primeiro passo para a retomada das conversações e para uma solução diplomática mais ampla para a guerra.
Da redação Mídia News Campo Grande





