
A jornalista e comentarista econômica Miriam Leitão afirmou nesta terça-feira (11), durante participação no Bom Dia Brasil, que os consumidores brasileiros ainda têm a sensação de que os preços permanecem elevados nos supermercados, apesar da desaceleração registrada pelos indicadores oficiais de inflação.
A declaração repercutiu nas redes sociais e em sites de notícias, onde passou a ser interpretada como uma tentativa de minimizar o impacto da carestia sobre o orçamento das famílias. A fala, no entanto, ocorreu no contexto da divulgação dos novos números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA registrou alta de apenas 0,07% em julho de 2026, abaixo dos 0,16% observados em junho. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação ficou em 4,44%.
Um dos principais destaques foi justamente o comportamento dos alimentos. O grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,67% em julho, enquanto a alimentação no domicílio recuou 1,14%. Os números mostram redução média de preços no período, mas isso não significa que os produtos tenham retornado aos valores praticados antes das altas acumuladas nos últimos meses e anos.
Essa diferença ajuda a explicar a percepção mencionada pela comentarista. Uma inflação menor significa que os preços estão subindo mais lentamente — ou, no caso de determinados grupos, apresentando redução naquele mês. Isso não representa necessariamente uma reversão integral dos aumentos anteriores.
Em maio, por exemplo, a alimentação no domicílio havia registrado alta de 1,65%. Já em junho houve queda de 0,39%, movimento que ganhou força em julho.
Durante sua análise, Miriam Leitão destacou justamente a diferença entre os índices estatísticos e aquilo que o consumidor percebe ao realizar suas compras. A afirmação provocou críticas porque parte do público interpretou o uso da palavra “sensação” como uma minimização da dificuldade enfrentada pelas famílias diante dos preços ainda elevados.
Os dados oficiais, portanto, permitem duas constatações simultâneas: a inflação efetivamente desacelerou e os alimentos ficaram, em média, mais baratos em julho, mas o nível atual dos preços ainda incorpora aumentos acumulados anteriormente. Por isso, uma redução mensal não significa automaticamente que o orçamento doméstico tenha retornado à situação de meses ou anos anteriores.
Da redação Mídia News




