PF aponta segundo contrato de R$ 50 milhões entre Vorcaro e escritório de Viviane Barci de Moraes com aeronaves como pagamento
Relatório indica que R$ 40 milhões seriam quitados com participações ligadas a um jatinho Legacy 650 e a um helicóptero; escritório nega que segundo acordo tenha sido efetivado

Um relatório da Polícia Federal (PF) tornado público nesta terça-feira (1º) revelou documentos e mensagens envolvendo um segundo acordo de até R$ 50 milhões entre uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o material analisado pela PF, o documento é datado de 12 de maio de 2025 e envolve a Viking Participações Ltda., empresa da qual Vorcaro era sócio. O acordo previa prestação de serviços jurídicos durante 36 meses, incluindo consultoria estratégica e atuação nas áreas administrativa, tributária e trabalhista, além do acompanhamento de investigações e processos judiciais.
O valor máximo previsto era de R$ 50 milhões líquidos. A documentação indica que os honorários poderiam ser pagos em dinheiro ou por meio de dação em pagamento, modalidade na qual bens ou outros ativos são utilizados para quitar uma obrigação.
Jatinho e helicóptero
Dias depois, documentos encontrados pela PF mostram discussões sobre a utilização de participações relacionadas a duas aeronaves para quitar a maior parte do valor.
Pela estrutura analisada pelos investigadores, R$ 40 milhões seriam pagos mediante a transferência de participações em empresas relacionadas a um avião executivo Legacy 650, prefixo PP-NLR, e a um helicóptero Airbus EC 155 B1.
O escritório receberia participação equivalente a 33,33% da empresa ligada ao Legacy 650 e 20% da sociedade relacionada ao helicóptero. Os R$ 10 milhões restantes seriam destinados ao reembolso de despesas envolvendo a utilização e aquisição das aeronaves.
As mensagens recuperadas do celular de Vorcaro também mostram discussões sobre a forma jurídica pela qual os ativos poderiam ser transferidos.
Em uma das conversas citadas no relatório, ao discutir quando os bens deveriam passar para os beneficiários do acordo, Vorcaro afirmou que os ativos já seriam deles.
Aeronaves teriam sido utilizadas
Outro trecho da investigação chama atenção para mensagens de julho de 2025 relacionadas ao uso das aeronaves.
Segundo o material divulgado, um interlocutor ligado à empresa responsável pelo compartilhamento das aeronaves perguntou a Viviane Barci de Moraes se estavam satisfeitos com a utilização das cotas. Ela respondeu afirmativamente e elogiou o atendimento recebido.
O relatório também menciona uma ocasião em que Vorcaro teria sido informado de que uma aeronave estava reservada para atender “Barci”. Diante disso, o banqueiro teria orientado que o atendimento fosse mantido e buscaria outra alternativa para seu próprio deslocamento.
Apesar das mensagens sobre a utilização das aeronaves, os documentos divulgados não esclarecem de forma definitiva se a transferência societária das cotas chegou a ser formalmente concluída.
Escritório contesta versão sobre segundo contrato
O escritório Barci de Moraes apresentou uma versão diferente sobre os documentos encontrados pela Polícia Federal.
Em nota divulgada após a repercussão do relatório, a banca afirmou que manteve apenas uma contratação com o Banco Master e negou que o segundo acordo tenha sido efetivado.
Segundo o escritório, a proposta apresentada não foi aceita, nenhum segundo contrato foi assinado e não ocorreu transferência ou substituição do contrato original.
A banca também sustenta que seu vínculo anterior com o Banco Master terminou com a liquidação da instituição financeira.
O posicionamento cria uma divergência entre a interpretação apresentada no relatório policial e a versão da defesa: enquanto documentos e mensagens encontrados pela PF descrevem negociações envolvendo os R$ 50 milhões e as aeronaves, o escritório afirma que a operação não chegou a ser formalizada.
O material faz parte da análise realizada pela Polícia Federal sobre dados recuperados do celular de Daniel Vorcaro e integra as investigações relacionadas ao Banco Master.
Da redação Mídia News Campo Grande





