
As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram em agosto de 2026, mesmo diante da redução no volume de mercadorias embarcadas e da entrada em vigor de novas tarifas norte-americanas. As vendas alcançaram US$ 3,19 bilhões, alta de 12,1% na comparação com agosto de 2025, quando haviam somado US$ 2,845 bilhões.
O resultado foi sustentado principalmente pelo aumento dos preços dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o preço médio das exportações destinadas ao mercado norte-americano avançou 8,6% no período.
Em sentido contrário, a quantidade efetivamente embarcada recuou 3,1% em agosto, mostrando que o crescimento da receita não ocorreu por aumento do volume exportado, mas principalmente pela valorização dos produtos.
Produtos impulsionam resultado
Entre os itens que mais contribuíram para o aumento das exportações em valor estão aeronaves e outros equipamentos, carne bovina, produtos inacabados de ferro ou aço, tubos de ferro e aço, celulose, café, além de cal, cimento e outros materiais de construção. Aeronaves e carne bovina estão entre os produtos que ficaram fora das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
Apesar do desempenho positivo em agosto, o cenário muda quando considerado o acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 24,10 bilhões, queda de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, a retração acumulada chegou a 13,6%.
Brasil mantém déficit comercial com os EUA
As importações brasileiras de produtos norte-americanos atingiram US$ 4,01 bilhões em agosto, crescimento de 1,1% na comparação anual. Com isso, o Brasil registrou déficit comercial de aproximadamente US$ 824 milhões com os Estados Unidos somente no mês.
De janeiro a agosto, as compras brasileiras provenientes dos EUA chegaram a US$ 27,32 bilhões, queda de 8,6%. Mesmo assim, o saldo bilateral acumulado permaneceu negativo para o Brasil em US$ 3,21 bilhões.
Segundo o MDIC, pouco mais de 20% do comércio brasileiro com os Estados Unidos foi atingido pelas novas tarifas. O governo avalia que ainda é necessário mais tempo para determinar se as barreiras estão provocando um redirecionamento significativo das exportações para outros mercados.
União Europeia registra forte crescimento
Enquanto o comércio com os Estados Unidos enfrenta os efeitos das tarifas, as exportações brasileiras para a União Europeia tiveram forte expansão. Em agosto, as vendas ao bloco alcançaram US$ 5,82 bilhões, crescimento de 46,4% sobre o mesmo mês de 2025. O volume embarcado avançou 30,3%.
No resultado geral do comércio exterior, o Brasil encerrou agosto com superávit de US$ 7,39 bilhões, avanço de 23,8% em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a agosto, o saldo positivo acumulado chegou a US$ 55,32 bilhões.
Da redação Mídia News Campo Grande





