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Presidente do partido de Flávio Bolsonaro admite planejamento de golpe de Estado: “E daí?”

Valdemar Costa Neto reconheceu discussões sobre uma ruptura institucional após as eleições de 2022, minimizou o episódio e defendeu anistia aos condenados pelo STF

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, reconheceu nesta quarta-feira (7 de outubro de 2026) que houve planejamento de um golpe de Estado após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. A declaração ocorreu durante entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, quando o dirigente minimizou as articulações e questionou a responsabilização dos envolvidos.

“Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?”, afirmou Valdemar, ao comentar as discussões envolvendo integrantes das Forças Armadas no encerramento do governo Bolsonaro.

Questionado diretamente se reconhecia a existência de um planejamento golpista, o presidente do PL respondeu: “Não tenha dúvidas”. Em seguida, argumentou que a elaboração de um plano não significaria necessariamente a prática de um crime.

Questionamento sobre eventual governo de Flávio Bolsonaro

A entrevista ganhou novos contornos quando os jornalistas perguntaram se uma articulação semelhante poderia ocorrer durante um eventual governo de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República.

Inicialmente, Valdemar respondeu: “Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento”.

Na sequência, elevou o tom de voz e argumentou que as consequências judiciais enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro serviriam para desestimular qualquer nova iniciativa.

“Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, declarou.

Apesar da resposta inicial, o dirigente afirmou posteriormente que uma eventual tentativa de ruptura institucional não teria apoio político. Também garantiu que o PL respeitaria o resultado das urnas, inclusive em caso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

Valdemar defende anistia e contesta condenações

Durante a entrevista, Valdemar voltou a defender a anistia aos condenados por participação na tentativa de golpe de Estado e nos atos de 8 de janeiro de 2023.

O presidente do PL afirmou que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, medidas para beneficiar Jair Bolsonaro e outros condenados seriam adotadas logo no início do mandato.

Segundo o dirigente, o ex-presidente não deveria cumprir pena porque, em sua interpretação, o golpe de Estado não chegou a ser concretizado.

A argumentação contrasta com o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à trama golpista.

A legislação brasileira prevê punição para a tentativa de golpe de Estado, independentemente de a ruptura institucional alcançar seu objetivo. Entretanto, a responsabilização criminal exige a demonstração dos elementos previstos em lei, não bastando necessariamente a simples discussão de uma hipótese.

Declarações repercutem durante disputa presidencial

As afirmações ocorreram em meio à campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrentará Lula.

O tema da anistia tornou-se um dos pontos de debate político, especialmente diante das condenações relacionadas aos acontecimentos posteriores às eleições de 2022.

Valdemar também afirmou que Jair Bolsonaro poderia exercer influência política em uma eventual administração do filho, embora não necessariamente ocupasse um cargo formal no governo.

Ao reconhecer o planejamento de uma ruptura institucional e, simultaneamente, contestar as condenações, o dirigente reafirmou a posição do PL em defesa da anistia.

As declarações recolocam no debate eleitoral questões relacionadas à responsabilização pelos acontecimentos de 2022, ao respeito ao resultado das urnas e à preservação das instituições democráticas.

Da redação Mídia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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