Flávio Bolsonaro diz que levará ao túmulo segredo sobre como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos
Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, senador afirma que organizou a viagem sem ajuda de governos estrangeiros, nega irregularidades e diz temer uma prisão no Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pretende manter em segredo, pelo resto da vida, os detalhes de sua saída do Brasil e chegada aos Estados Unidos. A declaração foi feita em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, publicada na quinta-feira (5), após sua derrota na eleição presidencial de outubro de 2026.
Ao ser questionado sobre como conseguiu deixar o território brasileiro e chegar a Miami, Flávio declarou que organizou toda a operação por conta própria, sem auxílio de autoridades ou governos estrangeiros.
“Como cheguei aqui, vou levar isso comigo para o túmulo”, afirmou o parlamentar.
A declaração ocorre em meio a questionamentos sobre as circunstâncias da viagem, realizada depois que autoridades brasileiras determinaram a entrega de seus passaportes no contexto de investigações envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. Flávio nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.
Por que Flávio Bolsonaro decidiu deixar o Brasil?
Segundo o senador, a decisão foi tomada após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro.
Flávio relatou que temia ser preso caso permanecesse no país. Na entrevista, afirmou acreditar que os processos judiciais contra ele poderiam resultar em uma condenação.
O parlamentar também mencionou uma conversa reservada com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, antes de deixar o Brasil. Segundo seu relato, o encontro reforçou sua preocupação com possíveis medidas judiciais.
Apesar disso, Flávio sustentou que a decisão de viajar foi tomada espontaneamente, em conjunto com sua esposa.
Viagem aos Estados Unidos levanta questionamentos
Embora o senador negue qualquer ajuda externa, reportagens internacionais apontam que sua saída do Brasil teria envolvido deslocamentos pela Argentina e pelo Equador antes da chegada aos Estados Unidos, em 28 de outubro.
As informações divulgadas indicam que um assessor ligado à Casa Branca teria participado da organização do voo particular utilizado pelo parlamentar.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, por sua vez, declarou que o governo dos Estados Unidos não participou diretamente da organização da viagem.
A família Bolsonaro recebeu autorização migratória para permanecer em território norte-americano por pelo menos um ano, em condição geralmente concedida por razões humanitárias.
A divergência entre os relatos mantém dúvidas sobre quem organizou o deslocamento, quais documentos foram utilizados e se houve participação de autoridades estrangeiras.
Senador volta a questionar resultado das eleições
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro também voltou a contestar sua derrota eleitoral para Lula, levantando suspeitas sobre a votação eletrônica.
Entretanto, não apresentou provas capazes de demonstrar fraude ou irregularidades que alterassem o resultado oficial.
O senador reconheceu que suas possibilidades de reverter judicialmente a eleição são reduzidas, mas afirmou que pretende continuar questionando o processo eleitoral.
Apesar da permanência nos Estados Unidos, Flávio não descartou disputar novamente a Presidência da República caso sejam realizadas novas eleições.
Futuro político permanece indefinido
Flávio Bolsonaro afirmou que ainda não decidiu onde sua família estabelecerá residência definitiva nos Estados Unidos. Segundo ele, a expectativa é que a permanência fora do Brasil seja temporária.
O parlamentar também pretende manter contatos políticos com aliados brasileiros e representantes do movimento conservador norte-americano.
A declaração de que levará ao túmulo os detalhes da viagem não esclarece os motivos específicos para preservar o segredo. O episódio, entretanto, amplia os questionamentos sobre sua saída do país, especialmente diante das investigações judiciais em andamento e das informações divergentes sobre eventual apoio internacional.
Da redação Mídia News Campo Grande





