
As auditorias abrangeram aproximadamente R$ 6,1 bilhões em recursos públicos, dos quais cerca de R$ 4,37 bilhões correspondem a dotações orçamentárias previstas para 2026. Ao todo, foram registrados 98 achados de auditoria, incluindo falhas na execução e inconsistências em contratos.
Metrô de Teresina apresenta suspeita de prejuízo milionário
O caso considerado mais grave envolve as obras do Metrô de Teresina, no Piauí, que receberam aproximadamente R$ 500 milhões em investimentos federais.
Os auditores identificaram indícios de sobrepreço e duplicidade de itens no orçamento contratado, com potencial prejuízo estimado em R$ 40,72 milhões aos cofres públicos.
A unidade técnica apresentou proposta de recomendação de paralisação do empreendimento. Entretanto, a classificação definitiva ainda depende de deliberação específica do tribunal.
Na consolidação do Fiscobras 2026, nenhuma obra recebeu classificação definitiva que determinasse recomendação de paralisação.
Outras 14 obras apresentam irregularidades graves
Além do metrô de Teresina, outras 14 obras receberam classificação de irregularidade grave, mas sem impedimento imediato de continuidade.
Entre os demais empreendimentos fiscalizados, oito apresentaram falhas ou impropriedades de menor gravidade, enquanto apenas um não recebeu ressalvas.
O resultado reforça a necessidade de acompanhamento da aplicação dos recursos federais, especialmente em projetos de infraestrutura que envolvem investimentos elevados e execução prolongada.
Mato Grosso do Sul aparece entre as prioridades
O relatório também relacionou dez empreendimentos considerados prioritários para acompanhamento orçamentário, com investimentos estimados em R$ 524,8 milhões.
Entre eles está o acesso ao Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, considerado estratégico para a infraestrutura logística regional e para a integração de corredores de transporte.
A inclusão nessa relação está associada ao risco de execução lenta por insuficiência de recursos e não significa, necessariamente, que o empreendimento apresente irregularidades.
Angra 3 fica fora da fiscalização
A Usina Nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro, foi excluída da relação de obras fiscalizadas em razão da indefinição sobre a continuidade do projeto.
O ministro Jhonatan de Jesus destacou que a ausência de uma decisão sobre o futuro do empreendimento já representou um custo de aproximadamente R$ 2,5 bilhões para o orçamento federal.
Outro ponto de atenção envolve as chamadas emendas Pix. O levantamento identificou deficiências de transparência e rastreabilidade em cerca de 65% das transferências especiais fiscalizadas, dificultando o acompanhamento da destinação dos recursos.
Relatório será encaminhado ao Congresso Nacional
As informações consolidadas serão encaminhadas ao Congresso Nacional para subsidiar a análise do orçamento e o acompanhamento das obras financiadas com dinheiro público.
Os indícios identificados pelo TCU não representam, por si só, comprovação definitiva de desvio de recursos ou responsabilização dos gestores envolvidos. As irregularidades apontadas ainda podem ser objeto de análises específicas e medidas corretivas.
O Fiscobras é realizado anualmente para fiscalizar investimentos federais em infraestrutura, identificar riscos de desperdício e contribuir para o controle da aplicação dos recursos públicos.
Da redação Mídia News Campo Grande





