USAID financiava programas com trabalhadores trans no Nepal antes de ser desmantelada por Trump
Reportagem da Associated Press mostra que cortes na agência americana deixaram ex-funcionários sem renda e levaram parte deles ao trabalho sexual para garantir a sobrevivência

Uma reportagem publicada pela Associated Press (AP) revelou os impactos sociais provocados pelo desmonte da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) no Nepal. Segundo a investigação, a agência financiava programas voltados à prevenção do HIV e ao atendimento da comunidade LGBTQ+, empregando trabalhadores trans e outros profissionais responsáveis por ações de saúde pública e assistência social.
Com a suspensão dos recursos determinada pelo presidente Donald Trump em 2025 e o posterior encerramento das atividades da USAID, milhares de postos de trabalho foram extintos no país asiático. A AP relata que o fechamento dos programas afetou especialmente pessoas trans, grupo que já enfrenta dificuldades para ingressar no mercado formal de trabalho devido à discriminação.
A reportagem apresenta depoimentos de ex-funcionários que atuavam em organizações parceiras da USAID na distribuição de preservativos, orientação sobre prevenção ao HIV, aconselhamento e acompanhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Com o encerramento das atividades, muitos perderam sua principal fonte de renda.
Segundo a investigação da agência de notícias, aproximadamente uma centena de ex-trabalhadores LGBTQ+ passou a recorrer ao trabalho sexual como forma de sobrevivência. Os entrevistados afirmam que a falta de oportunidades de emprego e a ausência de políticas públicas de apoio agravaram a situação econômica do grupo, aumentando também os riscos de violência, exploração e contaminação por infecções sexualmente transmissíveis.
Além do impacto econômico, especialistas ouvidos pela Associated Press alertam para possíveis consequências na saúde pública. O fechamento de clínicas e programas financiados pela USAID interrompeu serviços de prevenção ao HIV, distribuição de medicamentos preventivos, como a PrEP, além de ações educativas voltadas às populações consideradas mais vulneráveis.
A reportagem destaca ainda que o governo norte-americano defendeu a reestruturação da política de ajuda internacional, afirmando que os programas passaram a priorizar critérios de eficiência, efetividade e parcerias estratégicas. Apesar disso, organizações humanitárias e profissionais da saúde afirmam que a redução abrupta dos investimentos comprometeu serviços essenciais em diversos países, incluindo o Nepal.
O caso ganhou repercussão internacional por ilustrar os efeitos das mudanças na política externa dos Estados Unidos sobre comunidades que dependiam de programas financiados pela USAID. Para a Associated Press, a situação evidencia não apenas os impactos sobre os beneficiários da ajuda internacional, mas também sobre os próprios trabalhadores que atuavam na execução dessas iniciativas e ficaram sem alternativas imediatas de sustento após o encerramento dos projetos.
Da redação Midia News





