O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aprovou o aumento do Imposto de Importação para 1.252 produtos dos setores de máquinas, equipamentos e tecnologia. A decisão, tomada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), passa a valer a partir de março e atinge diretamente itens como computadores, smartphones e componentes eletrônicos.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida busca recompor alíquotas e fortalecer a indústria nacional diante do crescimento das importações. As novas tarifas variam entre 7,2% e 25%, com faixas intermediárias de 10%, 12,6%, 15% e 20%, ampliando a carga tributária sobre diversos produtos tecnológicos.
A iniciativa ocorre em meio a um cenário internacional de tensões comerciais, no qual diferentes países têm adotado políticas protecionistas. O próprio governo brasileiro já criticou medidas semelhantes adotadas por nações como os Estados Unidos em disputas globais.
Setor de importação alerta para aumento de preços
A decisão, no entanto, gerou reação de entidades do setor. A Associação Brasileira dos Importadores (ABIMP) manifestou preocupação com os possíveis impactos da elevação das tarifas, especialmente no custo final dos produtos e na competitividade da indústria.
Segundo a entidade, a alíquota de importação sobre smartphones, por exemplo, subiu de 16% para 20% em fevereiro de 2026, o que pode pressionar os preços ao consumidor. Para a associação, o imposto tem caráter extrafiscal e tende a gerar arrecadação imediata, sem necessariamente garantir aumento da capacidade produtiva no país.
Em nota, o presidente da ABIMP, Michel Platini, afirmou que a elevação abrupta das tarifas, inclusive em itens com baixa produção nacional, pode provocar efeitos negativos no curto prazo, como aumento de custos e impacto no fluxo de caixa das empresas.
Reflexos nas cadeias produtivas
Outro ponto de preocupação destacado pela associação é o impacto sobre as cadeias produtivas. Parte significativa dos produtos afetados corresponde a bens intermediários e componentes utilizados pela indústria brasileira.
Segundo a ABIMP, o aumento das tarifas pode elevar custos de produção, reduzir margens e comprometer a competitividade, inclusive nas exportações. Além disso, a medida pode gerar efeitos em cascata sobre produtividade, inovação e planejamento industrial.
Especialistas do setor avaliam que mudanças desse tipo exigem acompanhamento atento, já que influenciam diretamente o equilíbrio entre proteção à indústria nacional e manutenção de preços acessíveis ao consumidor.
Da redação Mídia News





