
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que irá recorrer da decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a quebra de sigilo da empresa Maridt. A medida havia sido aprovada por unanimidade pelos integrantes da comissão no Senado.
A empresa em questão tem como sócios formais irmãos do ministro Dias Toffoli. A decisão do STF suspendeu a iniciativa da CPI, que investigava possíveis vínculos da companhia com esquemas financeiros suspeitos.
Em nota divulgada à imprensa, Vieira manifestou preocupação com a decisão judicial e reforçou que pretende contestá-la. “O Brasil recebe com grande preocupação a decisão do ministro Gilmar Mendes que anulou a quebra de sigilo da Maridt. Como relator da CPI do Crime Organizado, informo que vamos enfrentar esta decisão em todas as instâncias possíveis”, declarou.
Segundo o senador, a quebra de sigilo foi fundamentada em elementos considerados consistentes pela comissão. Ele citou indícios de ligação da empresa com os casos conhecidos como “Master” e “Reag”, além de movimentações financeiras suspeitas, com possíveis conexões com lavagem de dinheiro associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Vieira destacou que a decisão da CPI foi colegiada e respaldada por evidências reunidas durante as investigações. Para ele, os fatos justificavam a adoção da medida, que acabou sendo posteriormente anulada pelo Supremo.
O senador também comentou o trâmite jurídico adotado pelos envolvidos. De acordo com ele, os irmãos de Toffoli recorreram inicialmente ao ministro André Mendonça, que reconheceu o direito de investigados não serem obrigados a prestar depoimento, conforme entendimento já consolidado no STF.
No entanto, Vieira questionou o fato de a empresa ter apresentado pedido diretamente ao ministro Gilmar Mendes em um processo que estava arquivado desde março de 2023. Segundo ele, o caso foi desarquivado, a solicitação aceita e, posteriormente, a quebra de sigilo anulada, com novo arquivamento do processo.
Para o parlamentar, a sequência de decisões e os indícios levantados reforçam a gravidade da situação. “Desse emaranhado de decisões judiciais consideradas atípicas e de movimentações financeiras milionárias e suspeitas, impõe-se uma conclusão: este escândalo é grande demais para ser empurrado para debaixo do tapete”, afirmou.
O caso segue em discussão no âmbito do Judiciário e pode ter novos desdobramentos com o recurso anunciado pelo senador.
Da redação Mídia News




