
A Polícia Federal apreendeu mais três celulares utilizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada na última quarta-feira (4). Com as novas apreensões, os investigadores passaram a reunir oito aparelhos supostamente utilizados pelo empresário, ampliando o material que será analisado no curso das investigações.
Até o momento, apenas um dos dispositivos foi completamente submetido à perícia técnica. Segundo agentes da Polícia Federal envolvidos na investigação, o conteúdo analisado até agora representa apenas uma parcela das informações disponíveis.
De acordo com os investigadores, cerca de 30% dos dados presentes nesse aparelho já vieram a público por meio de reportagens e documentos divulgados na imprensa. O restante do material permanece sob análise e poderá ser revelado conforme o avanço das perícias.
Os outros sete celulares continuam lacrados e deverão passar por procedimentos técnicos nos próximos dias. A perícia busca recuperar mensagens, registros de chamadas, arquivos e eventuais dados apagados que possam contribuir para esclarecer fatos investigados na operação.
A Operação Compliance Zero apura possíveis irregularidades envolvendo transações financeiras e movimentações suspeitas ligadas a empresas e pessoas relacionadas ao caso. A investigação ganhou repercussão nacional após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro e de dados financeiros ligados a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Neste sábado (7), o grupo Prerrogativas, formado por cerca de 250 advogados e conhecido por posicionamentos críticos à Operação Lava Jato, divulgou uma nota pública criticando o que classificou como vazamentos seletivos de informações da investigação.
O documento foi assinado pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, que também atua na defesa de Lulinha. Na manifestação, o grupo afirma que, embora reconheça a importância da investigação de possíveis fraudes, considera inadequada a divulgação parcial de conteúdos sigilosos.
Os advogados também criticaram o que chamaram de “exposição vexatória dos investigados” e apontaram risco de “espetacularização” das investigações, comparando a situação a práticas que, segundo eles, ocorreram durante a Operação Lava Jato.
Na avaliação do grupo, procedimentos investigatórios devem respeitar garantias constitucionais e evitar qualquer antecipação de julgamento ou estigmatização dos envolvidos.
Na parte final da nota, os signatários defendem a preservação da presunção de inocência e o respeito à dignidade dos investigados durante a condução das medidas judiciais e policiais. O texto também ressalta a necessidade de manter sob sigilo provas que possam afetar a intimidade e a privacidade das pessoas citadas nas investigações.
Da redação Mídia News





