
A bancada do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados anunciou nesta terça-feira (26) uma mudança de posicionamento em relação à discussão sobre a jornada de trabalho no Brasil. O partido decidiu apresentar uma emenda defendendo a adoção da escala 4×3 — quatro dias de trabalho seguidos por três dias de descanso — e provocou partidos de esquerda a votarem favoravelmente à proposta no plenário da Casa.
O anúncio foi feito pelo líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante, durante pronunciamento em Brasília. Segundo o parlamentar, a proposta será apresentada como “destaque de preferência”, mecanismo que obriga a comissão a analisar primeiro o modelo defendido pelo partido antes da votação da proposta principal relacionada ao fim da escala 6×1.
A movimentação ocorre em meio ao debate nacional sobre a redução da jornada semanal de trabalho. O texto em discussão prevê mudanças nas atuais regras trabalhistas e ganhou força após manifestações de sindicatos, movimentos sociais e setores políticos ligados à esquerda.
Durante o discurso, Sóstenes Cavalcante afirmou que o PL deseja “testar” o apoio dos partidos governistas a uma redução mais ampla da carga horária. O deputado também criticou o governo federal e acusou partidos de esquerda de adotarem um discurso “oportunista” sobre o tema.
A estratégia política do PL chamou atenção por representar uma mudança no discurso recente da legenda. Até poucos dias atrás, integrantes do partido criticavam propostas de redução da jornada, alegando possíveis impactos negativos sobre a economia e o mercado de trabalho. Agora, a bancada passou a defender publicamente a escala 4×3 como alternativa ao modelo atual.
Nos bastidores da Câmara, a proposta elevou a tensão entre oposição e base governista. Parlamentares aliados do governo avaliam que o movimento do PL busca criar desgaste político para partidos de esquerda, ao mesmo tempo em que tenta aproximar a oposição de pautas populares junto ao eleitorado.
A votação da proposta está prevista para esta quarta-feira (27), e o debate promete mobilizar diferentes setores políticos e econômicos. Representantes empresariais acompanham as discussões com preocupação diante de possíveis impactos nos custos trabalhistas, enquanto sindicatos defendem que jornadas menores podem aumentar a qualidade de vida dos trabalhadores e melhorar a produtividade.
A discussão sobre a escala 4×3 e o fim da jornada 6×1 deve continuar no centro do debate político nas próximas semanas, principalmente diante da aproximação do calendário eleitoral de 2026.
Da redação Mídia News





