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Faltou alguém no Hotel Deville em Campo Grande!

Artigo de produtor rural critica encontro realizado em Campo Grande e afirma que áreas privadas do Pantanal são responsáveis pela preservação efetiva do bioma

“-O tema foi discutido nesta terça-feira (27), no Hotel Deville, em Campo Grande, durante encontro que reúniu representantes do poder público, pesquisadores e organizações. A proposta é avançar na criação de mecanismos que transformem a conservação ambiental em fonte de financiamento para áreas protegidas.” grifo nosso

O Pantanal é constituído de 85 % de áreas privadas, nestes 85% cerca da metade são fazendas de criação em moldes tradicionais que limitam a cerca de 5% a antropização de suas áreas compreendendo nesse percentual todas as estradas, rodeios, aceros, vaquejadores, salgadeiras, piquetes, paletas e tanques, currais, aeródromo, casas, quintais e roças.

Isto significa real “conservação ambiental” numa extensão muito além da imaginação e capaz de acalmar os receios do mais fervoroso ambientalista urbano.

Nestes tempos que o sensoreamento remoto capta uma queima de lixo num buracão ou uma roçada superficial de invasoras, torna-se evidente que depois de 40 anos de incêndios repetitivos e destruição óbvia das Apps e Matas nessas “áreas protegidas” deveria este Pantanal privado, que mantém e cuidam com muito mais zelo da flora e fauna silvestres compartilhar com o poder público, pesquisadores e instituições (quais?).

Convivemos com onças há muitos anos nas propriedades das quais somos guardiões, convivência baseada no respeito ao espaço e recursos naturais compartilhados solidariamente, base da cultura tradicional pantaneira.

Para o pantaneiro viver conservação sem exploração faz parte da história do nosso negócio de pastoralismo, mas nunca negociamos com conservação.

Não matamos para tirar peles, não traficamos animais, mesmo na necessidade não comemos carne de animais silvestres, não vendemos flores, frutos, raízes, madeiras ou extraímos quaisquer essencias nativas, não extraímos ou exploramos para comércio qualquer ser vivo que nos cerca.

Ressaltamos un sucos de acaiá, uns doces de mangaba e maracujazinho, umas cascas de angico e canjiqueira para curtir apuros de couro e alguma seiva de jatobá.

Somos merecedores de tais créditos de biodiversidade para viabilizar a manutenção da criação historica e tradicional sustentável solidária com a fauna e a flora selvagens, e contrários à exploração de animais vivos ou mortos ou qualquer modalidade de extração animal ou vegetal.

Que conversa sonsa é esta?

“-Alinhada a uma agenda global, a iniciativa busca garantir sustentabilidade financeira para áreas protegidas, que hoje dependem majoritariamente de recursos públicos. “Ao mesmo tempo, buscamos inspirar outras organizações e iniciativas para ampliar as ações de conservação no Pantanal”, destaca Rafaela Nicola, diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan.”

Enquanto o Pantanal e os pantaneiros esperam dos Governos e Órgãos Públicos um pouco mais de Infraestrutura vemos esse lote de ativistas dependentes majoriamente de recursos públicos, tentarem criar mais um cartório de exploração de commodities ambientais, que não conseguem manter protegidas nas áreas do Pantanal que se apoderaram.

O Pantanal expõe novamente que cuidem dos latifúndios que já detém, e parem de atrapalhar a vida dos verdadeiros pantaneiros por criação ou adoção.

Armando Arruda LacerdaPorto São Pedro
27/05/2026

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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