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Turismo de onças cresce na Transpantaneira e acende alerta sobre pressão ambiental

Expansão da observação de onças-pintadas movimenta milhões no Pantanal de Poconé, mas crescimento da visitação aumenta debate sobre regulamentação, fiscalização e proteção da fauna

A consolidação da Transpantaneira, em Poconé (MT), como um dos principais destinos internacionais para observação de onças-pintadas trouxe resultados expressivos para o turismo do Pantanal, mas também ampliou os desafios para conciliar atividade econômica e conservação ambiental.

O crescimento do fluxo de visitantes, veículos e embarcações em áreas onde os felinos são encontrados tem provocado preocupação sobre os impactos da atividade na fauna. A questão ganhou destaque durante visita técnica realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) à Estrada Parque Transpantaneira e ao Parque Estadual Encontro das Águas.

Segundo o MPMT, a programação permitiu aos integrantes da instituição conhecer de perto a realidade da região e discutir questões relacionadas ao turismo, à conservação ambiental e às comunidades pantaneiras. A atividade contou com participação do fotojornalista José Medeiros, que há décadas documenta o Pantanal e suas transformações.

Um dos pontos de atenção é justamente a concentração de turistas nos locais onde onças-pintadas são avistadas. A busca pelo melhor registro fotográfico pode reunir embarcações e veículos em torno dos animais, tornando necessária a discussão sobre regras de aproximação, quantidade de visitantes e organização das operações turísticas.

Apesar dos desafios, o turismo de observação tornou a onça-pintada um importante ativo econômico para a região. Estudos científicos sobre Porto Jofre demonstraram que manter o animal vivo e protegido pode gerar receita muito superior às perdas provocadas por ataques ao gado.

Pesquisa publicada em 2017 estimou receita bruta anual de aproximadamente US$ 6,8 milhões relacionada ao turismo de observação de onças, contra cerca de US$ 121,5 mil em perdas de bovinos atribuídas à predação na área analisada. O resultado indicou uma diferença superior a 50 vezes em favor da receita turística.

A importância econômica, entretanto, aumenta a responsabilidade de empresários, operadores e órgãos públicos. Sem planejamento adequado, o crescimento acelerado da visitação pode resultar em perturbação da fauna, aumento do tráfego e maior risco de atropelamentos.

O problema não envolve apenas as onças-pintadas. Capivaras, jacarés, antas, tamanduás, veados, tuiuiús e diversas outras espécies compartilham o ambiente com automóveis, caminhões, ônibus turísticos e embarcações.

No Parque Estadual Encontro das Águas, referência mundial na observação de onças, o desafio passa pela implementação efetiva dos instrumentos de gestão, organização da visitação e definição de critérios capazes de preservar a experiência turística sem comprometer o comportamento natural dos animais.

A discussão reforça um desafio estratégico para o Pantanal: transformar o crescimento do turismo de natureza em instrumento permanente de conservação, garantindo que a valorização econômica da onça-pintada contribua para proteger não apenas a espécie, mas todo o ecossistema pantaneiro.

Com informações EDILSON ALMEIDA | Redação RDM Brasília

Da redação Mídia News 

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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