
Uma campanha digital formada por perfis anônimos chamou atenção no cenário político brasileiro após dados de anúncios em redes sociais apontarem investimentos superiores a R$ 1 milhão em conteúdos críticos ao senador Flávio Bolsonaro e ao governador de São Paulo Tarcísio de Freitas. As publicações foram impulsionadas entre maio e junho no Facebook e no Instagram, segundo levantamento divulgado a partir de dados analisados do sistema de anúncios da Meta Platforms.
Até o momento, não há identificação pública de quem financiou a operação. As páginas envolvidas tinham poucos seguidores — algumas com menos de 400 —, mas movimentaram valores considerados elevados para perfis sem grande audiência orgânica. A suspeita levantada na análise é de que possa ter existido uma coordenação entre as contas, devido à semelhança das estratégias utilizadas.
De acordo com as informações divulgadas, os perfis evitaram concentrar grandes quantias em poucas publicações. A estratégia teria sido distribuir o investimento em centenas de anúncios menores, aumentando a possibilidade de permanência do conteúdo nas plataformas caso parte das peças fosse removida pelos sistemas de moderação.
Outro ponto observado foi o uso de legendas genéricas nos anúncios, com textos que dificultariam a classificação automática das publicações como propaganda política. Três páginas criadas em maio chegaram a impulsionar mais de mil conteúdos antes de deixarem de aparecer ativas, enquanto outros perfis surgiram posteriormente mantendo a mesma linha de publicações.
A movimentação ocorreu em um período de forte disputa política, marcado por articulações para as eleições de 2026 e por acontecimentos envolvendo o nome de Flávio Bolsonaro, incluindo notícias relacionadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, além da divulgação de pesquisas eleitorais.
Especialistas em comunicação digital apontam que campanhas com perfis anônimos e alto investimento em publicidade podem dificultar a identificação dos responsáveis e levantam debates sobre transparência, financiamento de conteúdo político e regras de publicidade nas redes sociais.
Até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial sobre a origem dos recursos nem responsabilização pública dos administradores das páginas.
Da redação Mídia News





