
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu da Câmara dos Deputados um depoimento que levanta suspeitas sobre uma possível articulação para fabricar uma acusação contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). O relato foi prestado por um comerciante do Rio de Janeiro à Polícia Legislativa da Câmara.
Segundo as informações divulgadas nesta segunda-feira (10), o comerciante afirmou ter conhecimento de uma suposta operação destinada a apresentar uma mulher como vítima de estupro de vulnerável atribuído a Alfredo Gaspar. O parlamentar alagoano nega a acusação.
O depoente relatou que teria intermediado pagamentos destinados à mulher que faria a acusação. Segundo o Poder360, ele afirmou ter recebido R$ 16,5 mil e repassado o dinheiro à jovem. O relato, por si só, não comprova que tenha existido uma armação e deverá ser confrontado com documentos, movimentações financeiras e outros elementos da investigação.
Relato cita Lindbergh Farias
O depoimento também menciona o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Segundo o comerciante, teria ocorrido uma reunião virtual relacionada ao episódio. Lindbergh nega envolvimento na suposta trama e, nesta segunda-feira, acionou o STF contra a investigação conduzida pela Polícia Legislativa da Câmara sobre o caso.
A controvérsia teve origem após Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) levarem à Polícia Federal, em março, uma notícia de fato envolvendo Gaspar e uma acusação de estupro de vulnerável e suposta tentativa de ocultação dos fatos. Alfredo Gaspar negou as acusações.
Caso chegou ao Supremo
A Polícia Legislativa colheu o relato depois de ser acionada por Gaspar, que informou que o comerciante havia procurado seu gabinete para denunciar a possível trama. Como o depoimento envolve parlamentar com prerrogativa de foro, o material acabou encaminhado ao Supremo.
O episódio ganhou maior repercussão política após Alfredo Gaspar ser anunciado como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Até o momento, entretanto, as afirmações do comerciante permanecem como alegações submetidas à apuração, não havendo decisão do STF que reconheça como comprovada a existência da suposta armação ou atribua responsabilidade criminal às pessoas mencionadas.
Outro elemento relevante é que o autor do depoimento, Luiz Antonio Lopes, filiou-se posteriormente ao PL. Segundo registros divulgados pelo Metrópoles, a filiação ocorreu em 30 de abril, uma semana depois de ele prestar depoimento à Polícia Legislativa.
Da redação Mídia New




