
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela escalada da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, após a decisão norte-americana de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Em nota divulgada nesta semana, Skaf afirmou que a medida anunciada pelos Estados Unidos poderia ter sido evitada caso o governo brasileiro tivesse conduzido as negociações de forma “técnica, pragmática e diplomática”, evitando o que classificou como conflitos políticos e declarações desnecessárias que deterioraram a relação bilateral.
Segundo o dirigente da Fiesp, o relacionamento entre os dois países deveria priorizar interesses econômicos e comerciais, independentemente das divergências ideológicas entre os governos. Para ele, disputas políticas e interesses eleitorais acabaram prejudicando o ambiente de negócios e contribuíram para o agravamento da crise.
Skaf também alertou para os impactos econômicos da sobretaxa, destacando que a indústria brasileira perde competitividade em relação a concorrentes internacionais que não foram atingidos pela medida norte-americana. A preocupação é compartilhada por diversos setores exportadores, especialmente aqueles com forte presença no mercado dos Estados Unidos.
Além das críticas, o presidente da Fiesp defendeu que o governo concentre esforços em uma ampla negociação diplomática com Washington para buscar a reversão das tarifas, evitando medidas de retaliação que possam ampliar os prejuízos para empresas brasileiras.
As declarações provocaram reação imediata de aliados do presidente Lula. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de reeleição do petista em São Paulo, classificou o posicionamento da Fiesp como “vergonhoso” e afirmou que a entidade estaria politizando um momento que exige união entre governo e setor produtivo. Segundo ele, a responsabilidade pela crise estaria ligada a fatores externos e não exclusivamente à condução da política externa brasileira.
O debate ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que já mobiliza representantes da indústria, do agronegócio e do governo federal na tentativa de minimizar os efeitos das novas barreiras comerciais sobre as exportações brasileiras.
Da redação Mídia News

